A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 08/09/2021
No filme norte-americano, ‘‘A pele que habito’’ conta a história de Vera, uma jovem que ao se apaixonar por um médico-cirurgião, acata todas as mudanças radicais que ele sugere para remodelar seu corpo e rosto, com a desculpa de tornar-se perfeita para seu marido. Fora da ficção, constantemente mulheres são influenciadas a sofrerem intervenções estéticas, a fim de conquistarem algo, logo problemas como o machismo estrutural da sociedade e o falso perfeccionismo do corpo, idealizado pela mídia, possibilitam criar uma geração com problemas de auto-imagem.
Neste sentido, destaca-se a falta de igualdade em certos meios de trabalho, como a discrepância de salários entre homens e mulheres, em um mesmo cargo, na qual possibilita o surgimento de uma cultura em que acredita que a figura feminina deve trabalhar mais para conquistar o que almeja. Entretanto, quando o objetivo não é alcançado, a mudança radical no cabelo, corpo e maneira de se comportar podem chamar a atenção, logo se sobressair diante de inúmeros homens. Em virtude do machismo estrutural, cirurgias plásticas tornam-se comum, moldando o corpo conforme as tendências de sucesso, assim conseguindo uma oportunidade de emprego, como por exemplo, na loja ‘‘FARM’’, acusada de gordofobia na internet em 2018 a 2021, por contratar apenas garotas que vestem ‘‘P’’.
Ademais, com o poder midiático que as redes sociais possibilitam, lojas como a ‘‘Farm’’ ditam tendências entre jovens e meninas, logo se há propagandas de mulheres com corpos modificados e uma seletividade de meninas para o ‘‘padrão’’ da empresa, cria-se um perfeccionismo estético, que exclui tudo que não for igual a ele. Com isso, de acordo com a cantora ‘‘Adele’’ para a revista ‘‘Rolling Stonnes’’, para lançar seu primeiro álbum e conseguir sucesso nas paradas, a gravadora pediu para que perdesse 20 quilos, assim a ajudaria na divulgação do seu disco e caberia em roupas melhores. Logo, percebe-se que as oportunidades estão atreladas ao visual do corpo e rosto, fora do padrão, não há empregos ou reconhecimento.
Diante dos fatos expostos, urge que o Ministério da Saúde, junto a agências de publicidade, por meio de verbas governamentais, faça uma pesquisa quantitativa de quantas mulheres já tiveram que modificar algo do corpo, em busca de uma oportunidade, assim divulgar seus resultados em campanhas que busquem conscientizar todos sobre intervenções estéticas sem limites. Outrossim, divulgar nas redes sociais pensamentos e comentários considerados ‘‘machistas’’, que podem influenciar negativamente a saúde e o comportamento de uma mulher, a fim de evitar a mudança estética por pressão do ambiente laboral. Deste modo, impede que a vida das mulheres dessa geração não se assemelhe o que aconteceu com Vera.