A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 17/10/2021
No ano de 2015, o modelo Celso Santebañes faleceu devido à complicações decorrentes de seguidas cirurgias plásticas. O objetivo dessas cirurgias, por parte do próprio modelo, era se tornar o “Ken Humano”: boneco sinônimo de beleza no mundo contemporâneo. Com isso, percebe-se o quão banalizadas ficaram as cirurgias plásticas, em que pessoas submetem-se à procedimentos cirúrgicos delicados com objetivos, na maioria das vezes, supérfluos. Nesse caso, é imprescindível analisar as causas e consequências dessa problemática, das quais a influência midiática e os problemas de saúde decorrentes do pós-cirurgia são os mais comuns.
Precipuamente, percebe-se que as redes sociais são meios potencializadores de um corpo tido como “ideal”, colocando pressão para que o indivíduo siga aquele modelo e busque incessantemente o mesmo objetivo mostrado nas redes. Conforme o sociólogo George Mead, o “self” é um processo reflexivo em que o indivíduo, quando inserido em um grupo social, tende a se autoanalisar conforme a visão que os outros têm dele, em uma perspectiva da comunidade na qual se encontra. Desse modo, percebe-se que as mídias sociais são um retrato fiel do que Mead pensa: os mecanismos de curtidas e comentários desses meios são uma forma de avaliar o quão próximo da perfeição está o outro indivíduo. Assim, a busca por cirurgias plásticas com o objetivo de seguir o padrão imposto pela sociedade têm se tornado cada vez mais comum nos consultórios médicos do país.
Por conseguinte, problemas de saúde subsequentes às intervenções estéticas são frequentes, pondo em risco a recuperação plena do paciente no momento pós-cirúrgico. Recentemente, o programa “Fantástico” mostrou uma reportagem sobre a iraniana naturalizada brasileira Shirin Saraeian, que ficou cega após ser submetida à uma cirurgia plástica em um consultório médico em São Paulo. Portanto, esse caso é uma confirmação de que o desejo de alcançar objetivos inteiramente estéticos e até mesmo desnecessários levaram à banalização de cirurgias perigosas, reforçando a ideia de que, em um mundo superficial como o atual, a beleza está acima da própria saúde.
Destarte, a realização de procedimentos plásticos de maneira desenfreada e impensada é um problema que deve ser combatido. Para isso, urge que o Ministério da Saúde, órgão federal responsável pela manutenção da saúde no país, em parceria com as empresas detentoras das redes sociais mais comuns do Brasil, desestimule a execução banal de cirurgias plásticas no Brasil. Tal ação será concretizada por meio de campanhas conscientizadoras nas próprias redes socias e em emissoras de TV e rádio, com o objetivo de diminuir o índice dessas intervenções arriscadas em solo brasileiro e os potenciais problemas de saúde pós-cirúrgicos. Somente assim, o Brasil amenizará essa problemática.