A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 06/09/2021
O “Mito de Narciso”, presente na cultura grega, conta a história de um jovem que se apaixona por seu reflexo na água e, ao tentar encontrá-lo, morre afogado. Fora da mitologia, atualmente, enxerga-se características desse rapaz na sociedade contemporânea, uma vez que as pessoas estão fazendo de tudo para alcançarem algo : o padrão de beleza consolidado por meio de cirurgias plásticas. Destarte, é essencial analisar quais são as causas e os efeitos da banalização dos processos médicos, a fim de reduzir os danos desse mal.
Em primeiro plano, vale evidenciar que as redes sociais intensificam a naturalização dos procedimentos cirúrgicos estéticos. Segudo Carlos Heitor Cony, escritor brasileiro, a internet é um ambiente de poluição espiritual. Sob esse viés, a popularização das mídias digitais e a crescente presença de influenciadores digitais fornecem um arsenal de fotos e vídeos que reforçam o estereótipo de corpo ideal, reforçando a pseudo-noção de que a felicidade está atrelada a esse tipo de constituição física. Por conseguinte, os internautas, que são bombardeados com essas postagens, internalizam que esse padrão é uma meta a ser seguida e, por isso, submetem-se a intervenções cirúrgicas para alcança-lo. Infelizmente, muitas vezes, os resultados obtidos são diametralmente opostos ao que era esperado, o que força essas pessoas não só a refazerem-nas para reparar o erro, mas também virarem “caçadores” de defeitos em si próprios, retroalimentando o ciclo vicioso da banalização das cirurgias. Ademais, é lícito destacar que a naturalização dos procedimentos estéticos gera riscos à saúde dos pacientes. A partir disso, nota-se que a busca por um corpo culturalmente idealizado se dá, majoritariamente, por meio de diversas cirurgias plásticas, fazendo com que as pessoas procurem clínicas mais baratas para operá-las, o que coloca suas vidas em perigo. Exemplo disso é visto no “Botched”, programa de TV norte americano, no qual dois médicos corrigem cirurgias mal feitas, as quais, geralmente, ocorrem em lugares insalubres e expõem a vida dos indivíduos a morte. Dessa forma, percebe-se que, enquanto a obcessão pelo arquétipo for a regra, a normalização dessas operações será uma constante.
Portanto, a fim de reduzir a banalização das cirurgias plásticas, é fundamental que a Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com os Ministérios da Saúde dos países, promova campanhas que revelem a porcentagem de pessoas que morrem durante a realização de cirurgias por questões estéticas e pacientes arrependidos pelo resultado negativo das operações que fizeram, por meio da presença de influenciadores responsáveis, que não estimulam a naturalização e por especialistas, como Dráuzio Varela. Assim, esse problema será mitigado e o mundo livrar-se-á da concepção narcisista.