A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 09/09/2021
No livro “Utopia”, o escritor Thomas More ideliza uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. De modo antagônico à ficção, na contemporaneidade, a trivialização das cirurgias plásticas é um descaso para com os possíveis riscos que uma cirurgia pode causar no paciente. Tal banalização é motivada pelos influenciadores digitais e pela necessidade de muitos indivíduos, sobretudo do sexo feminino, de serem aceitos no meio social. Urge, pois, a primordialidade de pormenorizar as causas e as consequências desse revés.
É importante pontuar, de início, o domínio que os meios de comunicação exercem sobre os usuários. Nesse cenário, os influenciadores digitais, com o objetivo de terem mais seguidores, acabam realizando procedimentos estéticos e postando o resuldado nas redes sociais para diversas pessoas. Tal prática se tornou comum e, com efeito, muitos internaltas, passaram a enxergar as cirurgias plásticas como uma forma fácil e rápida de alcançar o padrão estético difundido na internet. Consequentemente, as complicações que um procedimento cirúrgico pode ocasionar são ignoradas, pois casos como a morte da modelo Liliane Amorim tornam-se mais frequentes.
Outrossim, é preciso destacar a pressão social sobre as mulheres, a qual busca inferiorizar qualquer aparência diferente do padrão de beleza pregado: cintura e nariz fino, seios grandes e lábios volumosos. Nessa perspectiva, o sociólogo Émilie Durkheim preconiza que os fatos sociais, pensamentos e regras dominantes na sociedade, são caracterizados pela coercitividade, exterioridade e generalidade. Sob esse prisma, a necessidade de realizar cirurgias plásticas surge como uma alternativa para alcançar a aceitação, haja vista que muitas mulheres colocam sua saúde em risco para não sofrerem com o preconceito em relação a aparência de seus corpos. Dessa forma os impasses voltados à banalização dos procedimentos estéticos se mantém em vigor, fazendo, pois, jus ao pensamento de Durkheim.
Depreende-se, portanto, a urgência de alerta dos possíveis perigos que as cirurgias plásticas podem causar. Nesse sentido, o Ministério da saúde, por meio de uma parceria com a mídia, deve divulgar em canais de TV, redes sociais e sites, a aceitação ao próprio corpo como forma de desenvolver a saúde física e mental; destacando os riscos dos procedimentos estéticos, a fim de que as pessoas deixem de lado a pressão da sociedade e a influência da mídia. Assim, a obra de More ficará mais distante da ficção.