A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 08/09/2021
Em 2018, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética divulgou uma pesquisa indicando que 71% dos procedimentos estéticos foram realizados em pessoas com idade entre 19 e 50 anos, enquanto, a partir dos 51, a taxa era de 16 por cento. Ao analisar tais dados, evidencia-se o aumento da procura por tratamentos na população mais jovem, fazendo se necessária a reflexão acerca da banalização das cirurgias plásticas, considerando suas causas e consequências. Em primeiro plano, deve- se entender o culto à perfeição como principal agente na busca por intervenção estética.
De acordo com o filósofo Jacques Derrida, os preceitos são moldados por discursos normalizadores propagados ao longo do tempo em diversas esferas. Nessa lógica, é possível compreender a existência de um padrão de beleza inalcançável que é idealizado em detrimento da diversidade de corpos. Assim, buscando aceitação interna e externa, alguns indivíduos submetem-se a intervenções estéticas que, muitas vezes, são invasivas como o exemplo da subcelebridade Liliane Amorim que faleceu após complicações em uma lipoaspiração.
Ademais, como agravante, os discursos se intensificaram com o avanço tecnológico por meio das redes sociais e seus “influencers ”, visto que, segundo o jornal O Globo, os aplicativos movimentaram milhares de reais nos últimos anos através de publicidades. Nesse viés, clínicas de estética têm, cada vez mais, visibilidade por meio de subcelebridades que, visando lucro, indicam os procedimentos em suas contas. Portanto, pode-se concluir que a banalização das cirurgias plásticas ocorre devido ao intenso estímulo cultural.
Assim, faz-se indispensável que a Câmara dos Deputados planeje e aprove uma lei que criminalize a apologia às cirurgias em televisões e plataformas digitais, com penalidade de 6 meses a 1 ano de cadeia para os infratores. Tal medida visa reduzir o bombardeamento de discursos banalizadores para proteger a população e seu bem-estar mental.