A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 05/09/2021

Após a Primeira Guerra Mundial, cirurgias plásticas começaram a se aprimorar para como são hoje. Com o desenvolvimento da técnica de reconstrução da face de soldados gravemente feridos nas trincheras, cirurgiões começaram a direcionar as operações à sociedade, para fins estéticos. Nos dias contemporâneos, pelo o advento das redes sociais, há o crescimento exponencial da popularidade desses procedimentos estéticos, influeciado por personalidades amplamente conhecidas. E por conseguinte, a técnica é alvo de cobiças mercadológicas que banalizam a operação, levando homens e mulheres à  busca desmedida pelo “corpo perfeito” em detrimento da saúde e da segurança física.

Nesse ínterim, é corriqueiramente divulgado campanhas de financiamento e consorcio de cirurgias plásticas, e programas sociais como o “Plástica para todos”, que fazem sorteios dos seus produtos, como o “Combo corpo perfeito” em redes socias. Esquemas mercadológicos como esses são majoritariamente direcionados à mulheres, e com enorme influência em redes socias. O impacto dessa banalização de procedimentos estéticos é devastador, pois, somente nos últimos dez anos, houve um aumento de 141% no número de procedimentos entre jovens de 13 a 18 anos, segundo a SBCP. Dessa forma, mulheres de todas as idades são psicologicamente programadas para perseguir à todo o custo um corpo segundo os padrões sociais, e corporações que, de modo depravado, exploram esse público em detrimento da ética profissional.

Além disso, devido a enorme demanda desses procedimentos, clínicas e médicos golpistas, para contornar a concorrência do mercado, oferecem preços que seriam mais acessíveis e atrativos para o público geral, mas sem os devidos cuidados e padrões de qualidade exigidos pelo CRM (Conselho Federal de Medicina). E assim, diversos casos alcançam a mídia, reportando vítimas que sofreram sequelas de cirurgias plásticas em clínicas ilegais, e muitos, como de Liliane Amorim, que resultaram em óbito.

Por conseguinte, cirurgias plásticas, podem ser benéficas para diversos casos, porém, corporações exploram a prática, e usufruem do lado mercadológico, em detrimento do bem-estar do paciente e da comunidade. Dessa forma, a Socidade Brasileira de Cirurgiões plásticos, deve fazer rigorosas manutenções no código ética profissional que permitem a manipuladora divulgação dos procedimentos estéticos nas redes sociais, que banalizam as cirurgias plásticas e prejudicam o bem-estar mental e físico da sociedade contemporânea. Ademais, o CRM, deve conduzir investigações rigorosas de médicos e clínicas fraudulentas, suspendendo licenças médicas e fechando estabelecimentos irregulamentados, com intuito de proteger e evitar possíveis vítimas do vicioso mercado da beleza.