A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 06/09/2021
Na obra ‘‘O Homem Vitruviano’’, de Leonardo da Vinci, é retratado o ideal clássico corporal, conforme as proporções métricas e padrões almejados pela sociedade. De maneira análoga a obra, a busca por satisfações de modelos estéticos é constante na contemporaneidade brasileira, o que causa o interesse desnecessário em realizar procedimentos corporais, sobretudo cirurgias plásticas. Nesse contexto, cabe analisar os fatores que motivam a procura desenfreada por operações, tais como o consumismo vigente e a banalização de cirurgias.
Mormente, torna-se relevante a influência da conduta social consumista no excesso de procedimentos estéticos. Isto posto, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, o consumo atual não diz respeito de satisfazer necessidades, e sim garantir auto-segurança. Nesse viés, infere-se que a compra e venda de produtos e serviços sem urgência, incluindo cirurgias plásticas, decorrem de uma alienação vigente que fomenta o desejo pela adesão aos padrões. Dessa forma, a ambição pelas mudanças corporais reflete o caráter inconsequente da população, já que são motivadas por propagandas e rótulos disseminados pela mídia, e não pelo cuidado com a saúde. Assim, o comportamento consumista intensifica a realização de procedimentos estéticos.
Outrossim, é indiscutível o papel da vulgarização de operações médicas na busca por cirurgias plásticas. Desse modo, segundo o sociólogo Pierre Bordieu, os indivíduos estão propensos a incorporar o que a sociedade impõe e naturalizam esse comportamento ao longo do tempo. Sob essa análise, depreende-se que a humanidade está sujeita a reproduzir atitudes padronizadas no meio social, a exemplo a realização de mudanças corporais. Diante disso, uma vez que a banalização dos riscos cirúrgicos e a compulsão por padrões de beleza é inserida na sociedade, tal conduta tende a ser repassada entre gerações e, por conseguinte, os procedimentos estéticos tornam-se desnecessariamente triviais. Dessarte, a mediocrização de mudanças corporais intensifica a reprodução dessas.
Portanto, é imprescindível cessar a busca excessiva por cirurgias plásticas no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, responsável por zelar o bem-estar corporal da população, junto ao auxílio da mídia, garantir a instrução da sociedade a respeito dos riscos de procedimentos estéticos, por meio da divulgação de campanhas e palestras públicas, a fim de cessar os riscos causados à saúde e a ansiedade pela adesão aos padrões disseminados. Assim, a criação de um molde corporal será restrito à obra de Leonardo da Vinci.