A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 07/09/2021
Nos últimos tempos a medicina tem avançado cada vez mais, seja no diagnóstico e cura de doenças, ou nos processos de reconstrução física. Contudo, são evidentes os problemas relacionados à banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, conduzidos, sobretudo, pela pressão exercida pelo estereótipo de beleza e pelos possíveis riscos que tais procedimentos podem trazer.
A priori, convém destacar que a sociedade impõe um padrão estético que não é desfrutado por grande maioria. Nessa lógica, para o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira de pensar, agir e sentir. Logo, possuir um corpo franzino acabou se tornando um fato social, pois quando os indivíduos não desfrutam desse ideal, tendem a sofrer coerção. Sob esse viés, um exemplo disso é o filme “The Little Miss Sunshine”, o qual mostra em uma de suas cenas, a opressão sofrida pela protagonista por sentir desejo de ser modelo e não se enquadrar nos requisitos estabelecidos. Nesse prisma, tal conjuntura é preocupante, uma vez que o padrão estético acaba fazendo com que as pessoas não se sintam bem com seus próprios corpos e procurem as cirurgias plásticas, como uma forma de não se sentirem excluídas.
Ademais, são evidentes os riscos dos procedimentos estéticos. No entanto, a busca por cirurgias como lipoaspiração e harmonização facial crescem cada vez mais no Brasil, principalmente entre as mulheres. Nessa óptica, os cidadãos mesmo conhecendo os possíveis danos, acabam optando por tais procedimentos, em virtude da pressão exercida pela sociedade. Nesse sentido, tal cenário é alarmante, visto que segundo dados do G1, a lipoaspiração é o procedimento cirúrgico que mais mata no País. Desse modo, são necessárias ações governamentais que revertam tal conjuntura, pois como Friedrich Hegel já afirmava, “É dever do Estado cuidar de seus filhos”.
Portanto, cabe ao governo federal, órgão responsável pela administração pública, promover por meio de recursos midiáticos, como a televisão e as redes sociais, campanhas e debates de conscientização acerca dos padrões estéticos vigentes. Assim sendo, tais articulações devem mostrar os efeitos nocivos desses estereótipos na vida da população, evidenciando casos reais de pessoas que tiveram complicações em procedimentos de beleza. Além disso, essas ações devem salientar a importância da autoaceitação, bem como o respeito pela diferença. Dessa maneira, tais ações teriam como objetivo minimizar a pressão estética exercida pela sociedade, para que assim, os problemas relacionados à banalização das cirurgias plásticas no Brasil fossem resolvidos.