A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 09/09/2021

O “Mito de Narciso”, presente na cultura grega, conta a história de um jovem que se apaixona por seu reflexo na água e, ao tentar encontrá-lo, morre afogado. Fora da mitologia, atualmente, enxerga-se características desse rapaz na sociedade contemporânea, uma vez que as pessoas estão fazendo de tudo para alcançarem algo: o padrão de beleza consolidado por meio de cirurgias plásticas. Destarte, é fulcral destacar que a banalização dos procedimentos cirúrgicos é potencializado pelas mídias digitais, o que resulta em uma busca incessante e, potencialmente, fatal pelo corpo perfeito.

Em primeiro plano, vale salientar que as redes sociais têm papel preponderante no que diz respeito à naturalização dos procedimentos estéticos. Segundo Steve Jobs, magnata americano, a tecnologia move o mundo. Entretanto, essa mudança não é sempre positiva, uma vez que as mídias digitais, por meios dos influenciadores, reforçam e perpetuam o padrão de beleza já consolidado, o qual, muitas vezes, é alcançado por intervenções cirúrgicas. Isso cria, no ideário dos seguidores, a noção de que tais operações são normais, de modo que eles são, direta ou indiretamente, instigados a seguirem os mesmos passos dos famosos, o que é explicado pelo conceito “Efeito Manada” da psicologia. Por conseguinte, as vítimas manipuladas, em busca da autorrealização, procuram as clínicas, ampliando o número de indivíduos afetados pela normalização.

Ademais, em segundo plano, como consequência direta da banalização, há o risco iminente de óbito dos pacientes. Sob esse viés, é notório que o valor das operações, no geral, influencia na qualidade do serviço prestado, pois quanto maior o grau de especialização do médico, maior o valor agregado às cirurgias. Além disso, a quantidade de vezes em que o corpo é exposto às operações impacta no resultado e na segurança do paciente, haja vista que peles com fibroses e delgadas são mais vulneráveis às infecções, às dores e às rejeições. Exemplos dessas situações são observadas no “Botched”, programa de TV norte americano, no qual dois médicos corrigem não só cirurgias mal feitas, mas também que expuseram a vida das pessoas à morte.

Portanto, a fim de reduzir a banalização das cirurgias plásticas, é fundamental que a Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com os Ministérios da Saúde dos países, promova campanhas, presentes em todas as mídias digitais, revelando a porcentagem de pessoas que morrem durante a realização de cirurgias estéticas e mostrando vídeos de pacientes arrependidos pelos resultados negativos das operações que fizeram, por meio da presença de influenciadore  que não estimulem a naturalização e por especialistas, como Dráuzio Varela, Assim, esse problema será mitigado e o mundo livrar-se-á da concepção narcisista.