A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 09/09/2021
Em 2015, eclodiu um vídeo que viralizou, da cantora Melanie Martinez, na qual o clipe, chamado “Mister Potato Head”, faz uma crítica à busca pela “perfeição” por meio de cirurgias plásticas, principalmente faciais. Nesse sentido, a realidade não é muito diferente, uma vez que realizar procedimentos cirúrgicos em função da estética tornou-se algo banalizado, ou seja, qualquer um pode fazer. Dessa forma, surge a problemática intrinsecamente ligada à sociedade brasileira, seja pela influência, seja pelas convicções.
Assim, é incontrovertível que o meio esteja vinculado às causas do problema. De acordo com o neurologista austríaco Sigmund Freud, as experiências vividas na infância, desde o nascimento, influenciam o indivíduo por toda a sua vida. Analogamente, percebe-se que a pressão estética entra em conformidade com o sábio, uma vez que as meninas, desde cedo, são ensinadas a terem um corpo padrão, a passarem maquiagem a fim de negligenciar suas imperfeições, ou seja, a criança cresce normalizada com o pensamento de que é necessária uma mudança estética para se encaixar na sociedade.
Outrossim, cabe ressaltar os princípios como impulsionador do problema. Segundo o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, as convicções são prisões. Sob essa ótica, observa-se que a psiquê do indivíduo entra em analogia com o pensador, haja vista que, hodiernamente, com a internet, as celebridades exercem influência no modo de pensar do seu público e, com a banalização e a normalização das cirurgias plásticas, o grupo feminino será influenciado a realizá-las, e adquire-se a convicção de que procedimentos estéticos são necessários, principalmente a audiência jovem, conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, na qual 34,5% das cirurgias feitas são mulheres na faixa etária entre 19 e 35 anos.
Dessarte, medidas são imprescindíveis para erradicar entrave. Com isso, em relação à influência do meio, urge que o Ministério da Educação, concomitantemente com o Governo Federal, adicione à grade curricular, horários para ter sessão de terapia com psicólogo, nas escolas, no mínimo uma vez por semana, por meio de consultas obrigatórias, a fim de diminuir a pressão estética sofrida desde cedo. Ademais, a alternativa para as redes sociais é que plataformas como Instagram, Facebook, façam um filtro para selecionar fotos que vão ou não estimular procedimentos estéticos, através da redução no número de postagens e fiscalização das mesmas, para diminuir esse padrão imposto na sociedade. Dessa maneira, espera-se diminuir a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea.