A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 16/09/2021

Na música “Pretty Hurts”, traduzida como “A Beleza Dói”, a cantora americana Beyoncé afirma que “a perfeição é uma doença da nação”. Análogo à letra, é notória a constante busca da sociedade contemporânea por corpos perfeitos, o que gera uma banalização das cirurgias plásticas, que tem como causas principais a pressão estética da mídia e a negligêngia do governo.

Nessa perspectiva, é evidente que os meios de comunicação possuem grande participação no agravamento da problemática. Segundo o escritor George Orwell, “a mídia controla a massa”. Diante disso, nota-se a grande influência dos meios midiáticos na vida da população, uma vez que divulgam corpos utópicos em propagandas de produtos ou em novelas, e faz as pessoas buscarem esses corpos, o que cria padrões de beleza que são alcançados somente com cirurgias plásticas, que são realizadas tantas vezes que se tornam banais. Isso pode ser visualizado pelos dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que mostra um aumento de 140% dos procedimentos estéticos entre jovens, principal público afetado pelos meios de comunicação. Dessa forma, é preciso uma mudança de atitude da mídia para mitigar o número de cirurgias plásticas desnecessárias.

Ademais, percebe-se que a falta de ação do governo dificulta a resolução do problema. Conforme o sociólogo Bauman, quando uma instituição existe, mas deixa de exercer seu papel social, essa torna-se uma “Instituição Zumbi”. Dessa maneira, é perceptível que os governos dos países com altos índices de realização de procedimentos cirúrgicos sem a informação necessária dos seus riscos e consequências, encaixa-se em tal teoria, visto que a saúde é um direito da população e dever do Estado assegurá-lo, como afirma a ONU. Logo, é dever do governo manter a população informada dos prejuízos que cirurgias causam a saúde e evitar que elas sejam feitas de forma banal.

Urge, portanto, que medidas sejam adotadas para diminuir a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Para isso, é necessário que o governo, por meio do Ministério da Cidadania e em parceria com a mídia, promova campanhas nas redes sociais e no meio televisivo que informem sobre os riscos dos procedimentos estéticos. Tais campanhas devem conter falas de médicos especialistas informando das consequências negativas geradas por esses procedimentos, com o objetivo de mitigar as cirurgias desnecessárias feitas por pressão estética e para preservar a saúde da população. Além disso, cabe à mídia introduzir em suas publicidades e novelas, pessoas com corpos reais, fora dos padrões estéticos, para promover a aceitação das pessoas com seus corpos e evitar que essas recorram a cirurgias plásticas. Assim, a situação retratada na música “Pretty Hurts” não será uma realidade contemporânea.