A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 14/09/2021
Segundo Sartre, filósofo francês, o ser humano é livre e responsável; cabe a ele fazer as suas escolhas. Nesse sentido, a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea tem sido indelevelmente associada aos sentimentos de baixa autoestima e a idealização de um modelo de perfeição estética, que aprisiona os indivíduos e contradiz o pressuposto do filósofo. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se destacar a baixa autoestima como um dos fatores motivadores do excesso de cirurgias plásticas nas últimas décadas. Nesse contexto, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em 2019 foram realizadas 1,7 milhões dessas cirurgias, sendo 60% para fins estéticos. Essa conjuntura, assim, expressa a dificuldade do indivíduo de se lidar satisfatoriamente com uma série de problemas e a busca nos procedimentos estéticos por soluções paliativas, consequentemente negligenciando a importância de se lidar com os obstáculos na vida.
Ademais, é fundamental apontar o atual modelo de padrão estético como impulsionador da avalanche de abordagens cirúrgicas no Brasil. Diariamente há um bombardeio de mensagens subliminares associando felicidade e corpo magro, esticado ou com curvas delineadas. Isso interfere na forma como as pessoas veem a si mesmas e cria a necessidade de adequação física para serem felizes. Para Bauman, sociólogo polonês, torna-se ímpar, então, que os indivíduos consigam ultrapassar essas catracas sociais e tenham condições para se sentirem livres em suas escolhas.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater tais idealizações estéticas. Para isso, é imprescindível que a Secretaria da Cultura, por intermédio das mídias sociais (novelas, programas de TV e internet), organize campanhas de reflexão acerca dos engodos do “mundo das belezas”, assim como da importância pela busca do que é verdadeiramente belo, que são os valores pessoais. Tais abordagens devem ser permanentemente inseridas, com linguagem de acordo com o perfil dos usuários-alvo e de maneira que o resultado seja a compreensão de que os procedimentos estéticos são destinados àqueles que necessitam deles para melhorar a qualidade de vida ou se recuperar de algum evento adverso. Assim, espera-se consolidar uma sociedade mentalmente sadia e emocionalmente equilibrada.