A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 24/09/2021
Com o passar dos séculos, o que é considerado bonito sofreu diversas alterações. No passado, por exemplo, ter as “ancas” (quadril) largas significava fertilidade e beleza nas mulheres e, por isso, eram retratadas dessa forma nas pinturas e esculturas. Entretando, a época atual segue um novo padrão para os corpos, alcançado muitas vezes através de inúmeras cirurgias como, silicone nos seios e nádegas, lipoaspiração, bichectomia, dentre outros. A partir disso, cabe a reflexão sobre a diversas intervenções cirúrgicas que são realizadas para chegar nesse corpo e as influências que levam a realização desenfreada desses procedimentos.
Primeiro, é importante destacar que a OMS engloba em seu conceito de saúde o bem-estar físico, biológico e mental. Porém, quando se volta para as cirurgias plásticas, a população parece esquecer que a saúde é primordial na vida do ser humano. A modelo Andressa Urach, por exemplo, se submeteu a diversos procedimentos estéticos que afetaram gravemente sua saúde como um todo em virtude das diversas intervenções que realizou. Nesse sentido, percebe-se o quanto a busca desse corpo ideal pode se tornar danoso à vida se for realizado sem entender as consequências que tudo isso pode gerar. A música “Pretty Hurts”, da cantora Beyoncé, traz uma crítica justamente ao fato das pessoas associarem a necessidade da dor e de alterações cirúrgicas no corpo para satisfazer o ideal social do que é bonito.
Além disso, outro aspecto que corrobora para a busca da beleza idealizada passa pelo intenso uso das redes sociais, pois nesses meios de comunicação são compartilhados corpos ditos “perfeitos” e que se encaixam no que é belo. Dessa maneira, a malha social se sente influenciada a atingir esse físico a qualquer custo sem levar em conta que existe editores de imagem, cirurgias naquilo que se vê e o cuidado com a própria saúde. Em contrapartida, surge um movimento denominado de “Corpo Livre”, impulsionado pela influenciadora digital Alexandra Gurgel com o objetivo de incentivar as pessoas a amarem seus corpos mesmo que sejam distantes do que a sociedade espera que ele seja.
Em suma, mesmo que exista tais movimentos, urge a necessidade de popularizar esse discurso de forma mais abrangente. Por isso, cabe ao Ministério da Educação em parceria com as escolas criar mecanismos de trazer essa problemática para essas instituições com o objetivo de instigar o respeito e a compreensão diante dos corpos que não são vistos como “ideais”. Um meio a se utilizar é através de panfletos e cartilhas que tragam a diversidade dos corpos - magros, gordos, seios pequenos, etc - para evidenciar que todas as pessoas carregam beleza independente de como são. Com isso, pode-se evitar que cirurgias plásticas sejam feitas em virtude desse novo padrão de corpos disseminado pelo social e de forma banal.