A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 17/09/2021

Beyoncé, em sua música “Pretty Hurts”, expõe os danos causados na saúde mental de mulheres pela cultura das cirurgias plásticas. Do meio artístico para a realidade, sabe-se que há a banalização das intervenções em questão. A partir de uma análise da problemática, perbece-se que ela está vinculada à má influência midiática e à mentalidade da sociedade, fazendo-se necessário um debate acerca dessas causas.

De início, em primeiro lugar, é lícito destacar o papel da mídia como fator que promove a trivialização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Sob esse viés, segundo Pierre Bourdieu, é inaceitável que a mídia, enquanto instrumento de democracia, seja utilizada como mecanismo de opressão. Nesse quadrante, nota-se que diversos elementos midiáticos, como clipes musicais e programas de televisão, propagam a ideia dos procedimentos estéticos como algo banal e vantajoso, sem considerar os impactos negativos dessa representação, como padronização da beleza. À vista disso, é essencial superar esses paradigmas.

Em paralelo, é possível somar aos aspectos supracitados a mentalidade coletiva como causa do revés. Nessa perspectiva, Simone de Beauvoir afirmou que mais escandalosa que a adversidade é o fato do corpo social se habituar às consequências dela. Destarte, é indubitável que, no que tange à normalização de operações estéticas, a sociedade está habituada a viver com essa realidade, e, consequentemente, incapaz de enxergar alternativas mais saudáveis e positivas. Isto posto, é nítida a urgência em resolver o impasse, uma vez que ele é capaz de gerar prejuízos para a saúde mental das pessoas.

Portanto, são fundamentais medidas para modificar o quadro contemporâneo. Logo, cabe à mídia, principal veículo formador de opinião, abordar a questão das cirurgias plásticas nas plataformas midiáticas, como televisão e redes sociais, por meio de campanhas que proporcionem alternativas para as pessoas se sentirem bem com sua aparência sem que haja a necessidade de modificá-la, como mensagens de elogios voltadas para todos os tipos de beleza, com o fito de extinguir a banalização dos procedimentos estéticos no tecido social e conscientizar a população. Quiçá, nessa via, será possível conscientizar efetivamente a sociedade e fazer da mídia ferramenta de democracia novamente, fazendo de músicas como “Pretty Hurts” puramente fictícias.