A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 16/09/2021

Na obra ‘’A Metamorfose’’, o escritor boêmio Franz Kafka retrata a vida do personagem Gregor Samsa, o qual, ao acordar transformado em um inseto, acaba frustrado psicologicamente. Fora da ficção, o estado mental de muitos brasileiros é semelhante ao de Gregor, uma vez que boa parte da população se submete às cirurgias plásticas devido a um padrão de beleza imposto pela sociedade. Nesse sentido, deve-se analisar como o descaso do Governo e a Mídia influenciam a problemática.

Nessa perspectiva, evidencia-se a negligência do Poder Público como fator determinante na permanência do impasse. Nesse viés, o filósofo contratualista Jean-Jacques Rousseau defende que cabe ao Estado implantar medidas que garantam o bem-estar coletivo. Entretanto, de acordo com a revista Le Monde Diplomatique, o número de cirurgias estéticas cresceu Brasil, por causa de um padrão de beleza irreal que atende a necessidades mercadológicas e consumistas. Isso denuncia, portanto, que o Governo, infelizmente, não cumpre a sua função social.

Outrossim, convém ressaltar que a Indústria Cultural também é uma das causas do problema. Nesse sentido, padrões de beleza ilusórios e restritivos sustentados pelos meios de comunicação de massa pressionam a autoestima dos indivíduos em uma sociedade competitiva e insegura. Assim, é comum que blogueiras ‘‘fitness’’ tal como Gabriela Pugliesi surjam em um cenário de obsessão midiática, exibindo um padrão corporal que, muitas vezes, é inalcançável.

Em consequência disso, procedimentos estéticos arriscados são cada vez mais comuns. Fica claro, portanto, que o descaso governamental e a influência midiática são as principais causas da problemática em questão. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde — principal órgão pelo bem-estar mental e físico da população — promover campanhas mais frequentes e impactantes na grande mídia, inclusive com o auxílio de figuras públicas, tratando dos perigos que a  obsessão estética traz a saúde.