A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 18/09/2021

Na pré-história, os homens preferiam mulheres com quadris avantajados, pois essas eram consideradas melhores reprodutoras. Já na época renascentista, as gordinhas eram vistas como as mais bonitas e ricas. Nesse contexto, é possível observar que padrões estéticos sempre existiram na humanidade, principalmente no que diz respeito ao corpo feminino, e no século XXI isso ainda persiste. Nesse sentido, a busca pelo ideal de beleza imposto, atualmente, tem feito com que muitas pessoas recorram a procedimentos invasivos, o que gera a banalização das cirurgias plásticas na sociedade. Diante disso, tal problemática é incentivada pela romantização feita por figuras públicas acerca dessa prática e pela baixa divulgação dos riscos à saúde.

Em primeira análise, é importante destacar o fato de muitas figuras públicas, como influenciadores digitais, romantizarem a realização de procedimentos estéticos, de modo a expor suas constantes modificações corporais como algo normal, simples, prático e que traz somente felicidade. A exemplo disso, chama atenção o caso da atriz Giovanna Chaves que, com apenas 18 anos de idade, se submeteu a uma lipoaspiração e divulgou o passo a passo nas redes sociais convencendo os seguidores -em sua maioria adolescentes- de que a cirurgia é a melhor opção para alcançar a “barriga perfeita”. Nessa perspectiva, é notório o quanto comportamentos como esse alimentam a ideia de que intervenções cirúrgicas devem ser naturalizadas.

Em segunda análise, é válido salientar a falta de conhecimento das pessoas acerca dos riscos à saúde que são causados ​​pelas plásticas, pois apenas os resultados de sucesso são divulgados e dificilmente há o alerta para as consequências. Como exemplo, poucas pessoas sabem que o ex-vocalista da banda LS Jack, Marcus Menna, precisou interromper a carreira por complicações em uma também lipoaspiração, a qual resultou em parada cardiorespiratória e dificultou a vida do artista desde então. Com isso, é importante que a sociedade esteja ciente de casos como esse, que não são raros, de modo a entenderem que isso é um real problema, diferente do que normalmente é propagado.

É evidente, portanto, que o Ministério da Saúde deve deixar a população a par de todos os riscos, por meio de campanhas que alertem para os perigos, a fim de conscientizar os indivíduos de que esses procedimentos devem ser feitos apenas se for realmente necessário e com orientação de profissionais qualificados. Ademais, é papel das redes sociais proibir, através de políticas de diretrizes, a exposição desnecessária sobre intervenções estéticas -pelos influenciadores digitais em especial- de maneira a evitar o incentivo. Assim, as cirurgias plásticas não serão mais banalizadas, abrindo o espaço para o que de fato dever importar no século XXI: uma vida saudável.