A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 30/09/2021
Cirurgias plásticas: reflexo da construção de padrões de beleza
Em “Desconstrução”, música do cantor de MPB, Tiago Iorc, é retratado a realidade de uma sociedade contemporânea e capitalista. Em parte da letra, “se estilhaçou em cacos virtuais; nas aparências todos tão iguais” é evidenciado a pressão estética feita pelas redes e a uniformização da sociedade. Como ressaltado na música, essas pressões estéticas de padronização das pessoas, influenciadas pelas redes e celebridades, gera a banalização das cirurgias plásticas.
Em primeiro ponto, analisando historicamente a utilização e realização das cirurgias plásticas, é possível verificar que começou com os soldados que lutaram na Primeira Guerra Mundial, a fim de recuperar e melhorar os estragos do pós-guerra. Com influência do capitalismo, houveram as realizações das cirurgias plásticas para fins estéticos e por meio, principalmente, da influência das celebridades e influenciadores nas redes sociais, que normalizam as cirurgias e não informam sobre os riscos, começou a ocorrer a realização compulsória e consequente banalização desses procedimentos.
Em segundo ponto, é possível analisar o aumento das realizações de cirurgias plásticas pela pressão estética de uma sociedade padronizadora, que por meio do reforço dos padrões nas redes sociais e na indústria pornográfica, constrói o que é belo. Tanto nas mídias sociais e aplicativos, quanto na pornografia, há a padronização de corpos, principalmente, femininos. Segundo o Isaps (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética), nos dados de realizações de cirurgias plásticas é mostrado que as mulheres são 84,5%. Com a uniformização das pessoas, há a comparação e consequentemente, compulsão das cirurgias plásticas.
Dessa forma, a sociedade capitalista constrói padrões estéticos excludentes por diversos meios, e pela influência negativa das redes sociais, há a banalização e compulsão das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Portanto, a fim de diminuir a normalização dos procedimentos e das cirurgias plásticas, fornecendo informações e dados verídicos, a mídia em parceria com o Ministério e as Secretarias de Saúde devem conscientizar a sociedade por meio de propagandas e campanhas nas redes sociais, com dados científicos e vítimas de processos estéticos que deram errado. Como destaca a música “Pretty Hurts” da Beyoncé, é possível constatar que “a perfeição é a doença da nação”.