A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 18/09/2021

Na filosofia platônica, há o mundo das ideias, em que tudo é perfeito. Análogo a esse pensamento, há na atual sociedade uma busca exagerada pelo corpo ideal, o que acaba por banalizar cirurgias plásticas, representando uma maior valorização estética em detrimento da qualidade de vida. Dessa forma, faz-se necessário analisar o motivo desse acontecimento, a citar, a padronização do corpo, e  que tem como consequência a piora da saúde da população.

De início, é válido ressaltar a idealização do corpo como uma forma de domínio e manipulação. Nesse sentido, o sociólogo Émile Durkheim destaca que o fato social, isto é, um determinado comportamento humano, é exterior ao indivíduo e tem poder coercitivo, sendo que quem estiver fora do padrão pode ser mal visto na sociedade. Seguindo essa linha de pensamento, o ideal de beleza criado culturalmente privilegia certas características físicas, como a magreza, por exemplo, e faz com que as pessoas busquem a transformação corpórea sem medir os riscos dos procedimentos. Assim, o padrão de beleza estabelecido é o principal responsável pela banalização das cirurgias plásticas.

Ademais, é necessário destacar que a busca radicalizada do corpo ideal pode ocasionar em danos à saúde do indivíduo. Nesse viés, segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde, uma pessoa só é saudável quando os elementos psicológicos, corporais e emocionais estão em equilíbrio. No entanto, a banalização das intervenções plásticas afeta todos esses aspectos, uma vez que além dos possíveis prejuízos ao corpo, há a ampliação da pressão estética, que faz com que a pessoa vá ao extremo para “melhorar suas características físicas. Logo, o número exagerado de cirurgias que modificam esteticamente o corpo é uma ameaça para a manutenção da qualidade de vida da sociedade.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver essa problemática. Para isso, cabe à mídia, como moduladora de costumes, lutar contra a padronização do corpo. Isso deve ser feito por meio da inclusão de pessoas com características que vão contra com o padrão cultural estabelecido, a fim de garantir uma maior diversidade e estimular que as pessoas se aceitem da forma como são. Além disso, cabe ao governo reduzir o número de intervenções plásticas. Essa ação deve ser realizada por intermédio de campanhas publicitárias visando conscientizar a população sobre os impactos negativos de constantes cirurgias, com o objetivo de desestimular essa prática.