A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 20/09/2021
Paul Joseph, político alemão, exprime em sua fala que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Tal prerrogativa se faz confirmada diante a busca desenfreada pelo padrão de corpo ideal estabelecido pela sociedade contemporânea que resulta na utilização banalizada das cirurgias plásticas para alcança-lo. Esse problema é fortemente agravado pela negligência estatal e a inércia social.
Em primeiro lugar, é lícito evidenciar o descaso do Estado como coadjuvante para a persistência da problemática. Diante disso, segundo a teoria do “Contrato Social”, estabelecida pelo filósofo John Locke, é dever do Estado garantir o bem estar social. Entretanto, o Estado vem negligenciando a saúde popular no que diz respeito a busca inconsciente, por parte das pessoas, por processos estéticos a fim de alcançar o corpo culturalmente idealizado fortemente propagado pelas empresas nas mídias sociais que utilizam de fotos irreais ou alteradas e publicidade pouco representativa, resultando na exclusão social de indivíduos, que por não se sentirem incluídos buscam por intervenções cirúrgicas visando serem aceitos. Assim, faz-se necessária ação do Estado de modo a controlar os ideais corporais estipulados na mídia.
Outrossim, é imperativo destacar a inércia social como um dos fatores que validam a perpetuação desse cenário negativo. Nesse viés, segundo o literato português José Saramago, no romance “Ensaio sobre a Cegueira”, o comportamento negligente por parte da população em não se mobilizar para exigir dos órgãos públicos maior representatividade publicitária e diminuição da utilização de materiais alterados com padrões irreais, portanto inalcançáveis, é definido como “Eclipse de Consciência”, ou seja, a ausência de sensibilidade por parte dos indivíduos frente as mazelas sociais enfrentadas pelo próximo, nesse caso a utilização nociva de procedimentos estéticos com a intenção de aceitação. Por conseguinte, considerável parcela da população fomenta a invisibilização do imbróglio em evidência e a manutenção dessa situação maléfica à sociedade.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas com intuito de coibir o problema discorrido. Assim, faz-se necessária ação do Estado criando leis, assim como na França, que obriguem as empresas a declarar em seus materiais caso as imagens utilizadas tenham sido modificadas digitalmente. Também é necessário que haja cobrança em cima das empresas para que estas utilizem de materiais publicitários que exaltem as diversidades corporais, desconstruindo a idealização de um padrão e contemplando maior integração dos indivíduos. Feito isso, o Brasil poderá caminhar para desconstrução da fantasia da existência de um padrão corporal, restringindo a busca banal das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea.