A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 20/09/2021

De acordo com a ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica) mais de 13% de todas as cirurgias plásticas realizadas no mundo ocorrem no Brasil, o que proporciona ao país primeiro lugar no ranking mundial. Em virtude disso, torna-se cada vez mais notória a banalização das cirurgias plásticas na sociedade atual. Os principais fatores que levam a essa normalização de procedimentos estéticos são as mídias sociais e a ilusão do corpo perfeito estigmatizado pela sociedade capitalista.

Segundo a teoria crítica Indústria Cultural, de Theodor Adorn, a mídia orienta o comportamento da sociedade através da veiculação de conteúdos de forma consistente e persuasiva. Nesse viés, observa-se a crescente busca pelo corpo ideal através de modificações estéticas à medida que as redes sociais promovem um padrão de beleza cada vez mais inalcançável e artificial. A música “Mrs Potato Head”, de Melanie Martinez, faz uma alusão crítica às medidas drásticas adotadas pelas mulheres em busca da perfeição imposta a elas pela sociedade e amplamente incentivada pelo capitalismo, tendo em vista os lucros exorbitantes gerados pela indústria da beleza. Por conta dessa ilusão midiática de padronização da beleza, muitas mulheres desenvolvem problemas de imagem ou autoconfiança e recorrem às cirurgias plásticas.

Sob o mesmo ponto de vista, pode-se afirmar que essa normalização das cirugias estéticas contribui para o culto exagerado ao corpo. Por isso, nota-se uma crescente insatisfação e insegurança em relação o próprio físico, o que favorece o surgimento de diversos transtornos, tais como: depressão, compulsão alimentar, anorexia e bulimia. De acordo com o documentário Embrace, de Taryn Brumfitt, mais de 91% das mulheres são infelizes com o próprio corpo e 86% tem intenção de realizar uma  cirurgia plástica.

Em virtude das situações apresentadas, são notórias as consequências geradas pela normalização dos procedimentos plásticos no Brasil. Por conta disso, torna-se necessária a criação de um projeto de lei perante a Câmara que proíba contratos de publicidade entre personalidades da mídia e clínicas de estética, para evitar a camuflagem dos riscos e a romantização dos procedimentos cirúrgicos.  O descumprimento da lei deverá ser penalizado através de multa e retratação imeadiata perante os meios de comunicação.

Ademais, deverá ser elaborada uma campanha midiática, através das redes sociais, protagonizada por mulheres sem procedimentos cirúrgicos e sem photoshop, com o objetivo de promover a naturalização e aceitação de corpos reais.