A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 19/10/2021

De acordo com a Mitologia Grega, Narciso era conhecido por sua beleza, mas de tanto admirar-se acabou sucumbindo em sua própria imagem. Fora dos ínterins mitológicos, percebe-se que na pós-modernidade, de forma semelhante, há uma busca por um ideal de beleza, circunstância oriunda tanto do patriarcalismo, que afeta principalmente mulheres, quanto dos veículos de comunicação, o que corrobora com a banalização das cirurgias plásticas.

Nessa conjuntura, convém enfatizar que o sistema do patriarcado está entre as principais causas do revés. Para compreender essa lógica, pode-se mencionar a jornalista Naomi Wolf e seu livro “o mito da beleza”, o qual afirma que o culto à beleza e à juventude da mulher é estimulada pelo patriarcalismo e atua como mecanismo de controle social. Sob esse viés, no cenário contemporâneo, algumas mulheres, além de dedicarem-se aos afazeres domésticos e laborais, buscam por maneiras de se aproximarem do modelo de beleza e juvenilidade, de modo que se distanciam da busca por emancipação intelectual e econômica. Dessa maneira, o sistema consegue manter essa parcela da população em constante ciclo de insatisfação e na busca por uma inacessível beleza, de forma que trivializa procedimentos cirúrgicos.    Ademais, é lícito o postular que a imprensa é um dos principais fatores que agravam o impasse. De acordo com os filósofos da Escola de Frankfurt, a idústria cultural, pela lógica do capitalismo industrial e financeiro, busca padronizar e homogeneizar os produtos, para que possa ser consumidos pela maioria das pessoas. Nesse sentido, os meios de comunicação atuam como promotores esses padrões, haja vista que os indivíduos exibidos nesses veículos são, majoritariamente, com traços físicos que representam muito pouco a sociedade. Ocorre que, infelizmente, a indústria cultural usufrui da falta de representatividade para propagar os mecanismos para alcançar determinadas características físicas, que ocorre por meio de procedimentos estéticos e cirurgias.

Depreende-se, em suma, a necessidade de ações para atenuar a problemática. Para tanto, com o objetivo de conter os impactos do patriarcalismo no corpo social, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve promover campanhas retratanto a relevância da autoaceitação, por meio da mídia - como, por exemplo, televisão, jornais, revistas e internet.