A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 13/10/2021
A série americana “Operação Beleza” retrata os diversos procedimentos estéticos, principalmente cirúrgicos, que diversos pacientes realizam em busca do ideal de beleza. Apesar de se tratar de uma produção estadounidense, no Brasil, observa-se, também, o cenário de banalização das cirurgias plásticas, haja vista seu aumento em quase 70% nos últimos dez anos, segundo dado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Diante disso, observa-se a consolidação de grave problema com contornos específicos, em virtude de coerção social atrelado à supremacia dos interesses financeiros.
Nesse sentido, é importante ressaltar, primeiramente, que a pressão social pelo atingimento do padrão de corpo estimula os processos cirúrgicos. Sob esse viés, Émile Durkheim, em sua teoria, disserta sobre o conceito de Fato Social, ou seja, padrões e comportamentos da sociedade que, coercitivamente, inflluenciam e moldam os indivíduos. Assim, é possível analisar que a própria sociedade cria um cenário de propagação de um modelo inatingível que leva as pessoas a procurarem cirurgias para se moldar aos padrões impostos. Como consequência desse processo, os altos indíces de aumento de procedimentos cirúrgicos, evidenciados pela SBCP, são fruto dessa coerção social.
Ademais, outro fato que corrobora a manutenção dessa realidade é a valorização demasiada dos interesses financeiros. Sobre essa perspectiva, o economista Thomas Piketty, em seu livro “O Capital”, confirma a tese marxista de que, em uma sociedade contemporânea, os interesses econômicos ultrapassam os valores éticos e morais. Tal processo é evidenciado ao observar o quadro do “Profissão Repórter”, demonstrando que cirurgiões plásticos, apoiados por instituições hospitalares, produzem contéudos em massa, em suas redes sociais, com promessas de cirurgias milagrosas e facilidades de pagamento, com o intuito de gerar lucros com a banalização das cirurgias.
Fica claro, portanto, que o cenário atual é resultado do Fato Social somado aos interesses capitalistas. Urge, logo, que o Conselho Regional de Medicina (CRM), por meio de parceria com o Ministério Público, investigue e puna os profissinais que se utilizarem de propagandas em massas, com o objetivo de reduzir a pressão sobre a população. Em paralelo, o CRM, junto ao Ministério da Saúde, deve, por meio de propagandas, conscientizar a população sobre os malefícios da busca pelo corpo idela preconizado pela sociedade e pela mídia, com o fito de alertar e garar senso crítico nos indíviduos. Somente assim, casos excessivos de procedimentos cirúrgicos, como evidenciado em “Operação Beleza” ficarão, enfim, somente nas telas de televisão.