A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 22/09/2021

Em seu poema “Vou-me embora para Pasárgada”, Manuel Bandeira - famoso poera modernista - atribui inúmeras peculiaridades ao seu almejado destino. Nesse cenário imaginário Bandeira revela o desejo de ter a mulher que quiser, ou seja, possuir aquela mulher que atenda aos seus padrões intímos de beleza. Sob essa perspectiva, quase em uníssomo, as mulheres contemporâneas, na busca de padrões de beleza irreais, em suma sustendados por opiniões masculinas, bem como validação social, se submetem a cirurgias plásticas desnecessárias que colocam seu bem-estar físico em risco.

Precipuamente, parafraseando a filósofa grega neoplatônica, Hipátia de Alexandria, compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor preparação para compreender o que há mais além. Isto é, torna-se necessário inferir que na sociedade hodierna a pressão estética afeta à homens e mulheres, mas são as mulheres que sofrem constantes cobranças para se adequarem ao padrão apolíneo vigente, pois, ainda hoje o corpo e a beleza se constituem como meio de aceitação e inserção social. Ou seja, o modelo imposto pode mudar com o passar das décadas, mas a exigência de atender ao arquétipo corporal para assim conquistar a aceitação social se mantém.

É diante desse cenário de culto à corpos esculturais, que em várias ocasiões são resultados de ângulo, pose e até mesmo photoshop em fotos publicadas em mídias sociais, que muitas mulheres recorrem a cirurgias como a lipo LAD. Cabe ressaltar que a lipo LAD é a mais nova sensação das intervenções cirurgicas, essa promete uma barriga definida sem a necessidade de exercícios físicos diários, por outras palavras, é mais uma maneira de banalização de um procedimento cirurgico invasivo e possivelmente danoso à saúde, já que não há estudos que dissertem sobre consequências futuras desse método, as cirurgias plásticas tornaram-se habituais e seus riscos aceitáveis. Contudo, presentemente o diálogo sobre a imposição de um padrão a ser seguido para consequente anuência social ocorre de maneira mais facilitada, através de livros como “O mito da beleza” da jornalista Naomi Wolf. Nesse livro, Naomi, questiona de maneira pragmática o culto à beleza e a juventude da mulher, bem como confronta o desenvolvimento da indústria da cirugia plástica.

Isto posto, torna-se primordial que discussões como as levantadas por Naomi Wolf tornem-se frequentes, para tanto é necessário que as escolas busquem incluir, nas aulas de literatura, escritoras que abordem temáticas feministas, como Flávia Biroli e tantas outras. Ademais é preciso que as mídias televisivas cedam espaço à influenciadores que procuram debater sobre como a beleza é particular e única, tal como a youtuber Alexandra Grugel. Desse modo, se a problemática for tratada com a devida seriedade, a beleza padronizada se curvará a beleza natural e ímpar de cada indivíduo.