A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 27/10/2021
A música “Pretty Hurts”, da cantora Beyoncé, diz “A beleza machuca/ Evidenciamos o que temos de pior/ A perfeição é a doença da nação”, abordando a dificuldade, cada dia mais intensa, de se encaixar nos padrões estéticos impostos pela sociedade. Assim, estimulando, principalmente pelas redes sociais, uma ideia de perfeição facilmente alcançada por procedimentos estéticos. Portanto, banalizando as cirurgias plásticas, que são facilmente divulgadas por influenciadores digitais, levando a até mesmo a mediocrização do exercício médico, trazendo riscos de saúde e sequelas que poderiam ser evitados.
Nesse cenário, a oportunidade de lucro leva muitos profissionais a realizar operações e procedimentos estéticos sem estar devidamente preparados para essas atuações, como comprova Luciano Chaves, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, de que há 12 mil não especialistas realizando cirurgias plásticas e colocando a vida dos pacientes em risco. Dessa forma, banalizando a medicina e aqueles que estudaram para se qualificar e estar aptos para operar e trabalhar com esses procedimentos de forma segura e eficaz, acompanhando o paciente antes da realização e mesmo o pós-operatório, até a completa recuperação do paciente.
Embora a cirurgia plástica seja muito importante para a autoestima de muitas pessoas, como nas chamadas cirurgias restauradoras, sendo exemplo delas as de reconstrução mamária, após câncer de pele, pós-bariátrica e restauração em queimaduras, que passaram a ocupar, em 2016, 43% dos procedimentos, segundo Censo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Em contrapartida, ainda há uma grande banalização das cirurgias estéticas, o que se intensifica por meio das redes sociais e dos influenciadores digitais com seu grande impacto nas decisões de consumo e na criação dos padrões de beleza atuais, por meio de propagandas de procedimentos e profissionais, levando seus seguidores a confiar e não conferir os riscos e adequações de tais processos.
Em suma, cirurgias plásticas se fazem cada vez mais presentes nos dias atuais, buscando atingir modelos de perfeição presentes nas redes sociais, sem buscar os riscos dos mesmos, além de profissionais de confiança. Desse modo, banalizando essas operações e a prática médica. Para que esses procedimentos possam ser feitos de forma segura, é imprescindível que os influenciadores digitais, por meio de suas redes, falem sobre esses processos e seus riscos, não apenas a parte boa, além de indicarem o Departamento de Proteção Profissional, como forma de denúncia para qualquer experiência desagradável ao paciente, para que profissionais não especializados sejam investigados e punidos e a segurança para realização das cirurgias seja eficaz.