A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 26/09/2021

No episódio “San Junipero” da série “Black Mirror”, uma rede virtual é retratada na qual os usuários podem colocar um novo visual, mas a desvantagem é que a realidade não tem contato com a simulação. Ao mesmo tempo, no Brasil, a exposição da personalidade na Internet e a materialização do corpo têm causado pressões sociais para atingir padrões estéticos surreais, o que tem aumentado a demanda por processos de embelezamento artificial. Portanto, é útil analisar este problema.

Primeiramente, é importante destacar que, segundo o sociólogo Guy Debord, a contemporaneidade promove o espetáculo da vida pessoal. Portanto, os cidadãos são estimulados a expor suas características físicas e emocionais para serem incluídos no grupo. Portanto, as características mais valiosas de cada nicho ecológico são definidas e então usadas para distinguir seus membros de outros grupos. Como resultado, é criada uma força coercitiva social que é responsável por manter as pessoas em um arquétipo pré-determinado. Além disso, vale ressaltar que, na opinião do estudioso Zygmunt Bowman, a marca da sociedade capitalista é a comercialização do ser humano como criatura. Nesse caso, as características humanas são reinterpretadas como mercadorias que podem ser consumidas por outros sujeitos do coletivo. Portanto, o uso de redes sociais permite a criação de modelos físicos idealizados, o que não é necessariamente correto, pois a prioridade é atrair outros participantes que atuem como consumidores.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para mudar esta situação. Para atingir esse objetivo, o MEC deve trabalhar com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos para lançar uma campanha para tolerar os mais diversos estilos estéticos. Com essas ações, será possível construir uma sociedade mais justa e tolerante ao invés de contar com a aparência para fortalecer as relações interpessoais como “San Junipero”.