A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 01/10/2021

O livro “O mito da beleza”, da jornalista Naomi Wolf, afirma, entre outras coisas, que o culto à beleza é estimulado pelo patriarcado e atua como controle social para que seja evitada emancipação da mulher. Fora da literatura, o cenário delineado pela autora se faz presente na realidade, haja vista a atual banalização das cirurgias plásticas. Esse cenário vil é fruto, principalmente, da influência das mídias sociais na autoimagem e na autoestima das mulheres e do sistema patriarcal. Cabe-se, então, alcançar medidas efetivas de combate a esse horrível panorama.

Nesse sentido, é lícito pontuar que as redes sociais influenciam na autoimagem e na autoestima das mulheres, o que leva à banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Sob esse viés, é veiculado, na internet, um padrão de beleza irreal e inatingível, que faz as pessoas do sexo feminino enxergarem suas diferenças como defeitos e, por isso, recorrerem a procedimentos estéticos com o intuito de corrigi-los. Esse cenário opressor pode ser visto, por exemplo, no documentário “O dilema das redes”, o qual revela o impacto das mídias sociais na autoimagem das internautas, fazendo-as se sentirem imperfeitas por não estarem no modelo dominante. Assim, é fulcral que se reverta essa chaga coletiva, porque nenhuma mulher deveria ter que colocar a própria vida em risco para se encaixar em um arquétipo surreal.

Outrossim, o sistema patriarcal contribui com a banalização dos procedimentos estéticos no tecido social hodierno. Nessa perspectiva, desde crianças, as mulheres são ensinadas que precisam se preocupar com a aparência, com o cabelo, com o corpo, com o que falam. Isso faz parte do machismo e leva à pressão estética. Logo, se estão fora do que é estabelecido, elas têm problemas com autoestima e só se sentirão bonitas quando estiverem dentro do modelo vigente. Essa socialização machista é elucidada no livro “Pare de se odiar”, que explica a origem da pressão estética que leva milhares de mulheres a se submeterem à cirurgias plásticas. Destarte, é urgente que se reverta essa forma de opressão contra a população feminina, haja vista que elas merecem viver sem serem violadas.

Portanto, a banalização das cirurgias plásticas na sociedade atual é cruel e necessita ser mitigada. Para isso, a mídia – instituição responsável por moldar o modo de pensar do cidadão – deve desmistificar o mito de padrão de beleza, alertando, também, sobre a banalização das operações estéticas, por meio de reportagens em mídias como Instagram e Facebook, além da produção de minidocumentários a respeito do tema. Tudo isso deve ser feito visando a libertar as mulheres da opressão estética.