A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 28/09/2021

De acordo com a filósofa alemã Hannah Arendt, em sua obra ‘‘Banalidade do mal’’, a sociedade tende a considerar normal os problemas existentes em seu corpo devido à frequência com que ocorre. Diante disso, os preocupantes padrões estéticos, no Brasil, escancaram uma história pautada no cuidado excessivo da beleza e demonstra as consequências de um molde para uma representação corporal.

Primeiramente, a preocupação estética permeia desde a antiguidade. Como prova disso, há uma figura mitológica ( o Narciso) que representa a vaidade e o orgulho por apaixonar-se pela própria imagem refletida na água do rio. Além do mais, a famosa atriz Hedy Lamarr foi refém de sua beleza e exemplo de como sempre existiu uma constante dismorfia na estética corpórea. Nesse sentido, a atriz foi a primeira a submeter-se à cirugias pláticas, a fim de esconder a velhice. Logo, Lamarr perdeu a própria estrutura facial e tornou-se irreconhecível.

Ademais, juntamente com a construção dos séculos vem a formação de um modelo aceitável de corpo e suas consequências. Deste modo, a indústria midiática cria um sentido de existência e valor pautado ao redor da aparência física. Ou seja, uma sociedade do espetáculo, conforme postulou o pensador Guy Debord. Sendo assim, a cantora Beyoncé traduziu essa problemática através da música ‘‘Pretty Hurts’’, ao afirmar como a beleza pode ser vista como uma doença mundial. Isto é, uma situação gradativamente corrosiva.

Infere-se, portanto, uma necessidade de atenuar esse assunto. Dessa maneira, o Ministério da Educação e o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitário(CONAR) devem criar campanhas que desconstruam padrões estéticos, por meio de canais televisivos e mídias sociais, com intuito de gera inclusão e a aceitação corporal. Além disso, as escolas devem promover palestras inspiradoras com profissionais qualificados, com objetivo de esclarecer e desmistificar esses padrões. Feito isso, esse tema deixará de ser uma banalidade do mal.