A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 28/09/2021

O filósofo Foucault definiu  " Normalização" como sendo a capacidade de reprodução de mentalidades e atitudes sem uma reflexão crítica pela sociedade. Sob esse viés, percebe-se que, no Brasil, a tese do intelectual encontra-se, de certa forma, presente na realidade de banalização das cirurgias plásticas, uma vez que essa prática tornou-se normalizada e massiva na contemporaneidade, além de, por vezes, ser analisada de maneira parcial e sem a devida criticidade. Nesse sentido, em virtude da má influência midiática e da carência de conhecimento popular,  o problema é fomentado socialmente.

Em primeiro plano, a mídia de comunicação em massa contribui para a continuação da questão. A esse respeito, o filósofo Nietzsche afirma que ,ao fazermos escolhas, somos guiados por valores e pensamentos consolidados, tornando a liberdade ilusória. Nessa lógica, a banalidade presente nas cirurgias plásticas é formada, em parte, pelos meios de comunicação, visto que eles possuem o poder de popularizar a valorização de tais cirurgias, ora pelas intensas propagandas que estimulam o indivíduo a realizar modificações cirúrgicas para buscar padrões de beleza idealizados, ora pela manipulação feita por personalidades famosas e valorizadas, em suas redes sociais, influenciando o pensamento das massas a fim de promover uma ampla utilização dessas cirurgias. Por conseguinte, ocorre a naturalização dessa prática modificadora,  apesar das inúmeras consequências que a cercam, como o risco de morte e sequelas permanentes que, muitas vezes, são silenciadas no país.

Além disso, o déficit de esclarecimento popular contorna a problemática. Nesse contexto, o sociólogo Durkheim denfende que o ser humano só poderá agir quanto aprender e conhecer a realidade em que vive. Sob essa análise, a carência de esclarecimento da população sobre os riscos presentes nas cirurgias plásticas possibilita o indivíduo não refletir essa atitude, de modo a consolidar uma visão unilateral sobre as plásticas, a qual favorece apenas os possíveis aspectos positivos. Diante disso, essa realidade é exemplificada, seja pela falta de amplos debates, em escolas, que discutam essas cirúrgias para estimular a criticidade individual na disciplina de biologia, seja pelo silenciamento de muitas empresas que lucram com essa prática e, por vezes, não esclarecem as consequências cirúrgicas.

Portanto, a fim de esclarecer a sociedade sobre as cirurgias plásticas e retirar a banalização dessa situação, cabe ao Ministério da Saúde formular um campanha que evidencie os efeitos dessas práticas, por meio do conhecimento técnico de médicos e professores de biologia. Ademais , essa campanha deve contemplar periódicos debates na comunidade social para discutir as plásticas em clínicas médicas. Logo, possivelmente, o conceito de Foucault será minimizado no Brasil.