A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 29/09/2021

A cirurgia plástica tornou-se uma especialidade médica a partir da Primeira Guerra Mundial, em decorrência da necessidade de tratamentos alternativos para tratar ferimentos de combate. A priori,  a ténica consistia na retirada de tecido de uma parte saudável do corpo para reimplantação em um local lesionado, entretanto, ao longo dos anos houve aprimoramento das técnicas e as cirurgias plásticas passaram a ser utilizadas para fins estéticos. Atualmente, estima-se que ocorram, por ano, mais de 11 milhões de procedimentos em todo o mundo. Em virtude disso, torna-se cada vez mais notória a banalização das cirurgias plásticas na sociedade atual, fomentada pelas mídias sociais e a ditadura da beleza estigmatizada pela sociedade capitalista patriarcal.

Segundo a teoria crítica Indústria Cultural, de Theodor Adorn, a mídia orienta o comportamento da sociedade por meio da veiculação de conteúdos de forma consistente e persuasiva. Nesse viés, observa-se a crescente busca por modificações estéticas à medida que o padrão de beleza, impulsionado pelas mídias sociais, torna-se cada vez mais artificial e cirúrgico. A música “Mrs Potato Head”, de Melanie Martinez, faz uma alusão crítica sobre a relação da mídia com o fortalecimento da pressão estética e à normalização de procedimentos drásticos com objetivo de incluir-se no padrão de beleza socialmente imposto às mulheres e amplamente incentivado pelo capitalismo, tendo em vista os lucros exorbitantes gerados pela indústria da beleza.

Sob o mesmo ponto de vista, pode-se afirmar que essa normalização das cirurgias estéticas contribui para o culto exagerado ao corpo. Por isso, nota-se uma crescente insatisfação e insegurança em relação o próprio físico, o que favorece o surgimento de diversos transtornos, tais como: depressão, compulsão alimentar, anorexia e bulimia. De acordo com o documentário Embrace, de Taryn Brumhitt, mais de 91% das mulheres são insatisfeitas com o próprio corpo e 86% têm intenção de realizar uma cirurgia plástica.

Em virtude das situações apresentadas, pode-se afirmar que a banalização das cirurgias plásticas é consequência da ilusão midiática e patriarcal de padronização da beleza  Por conta disso, torna-se necessário a criação de um projeto de lei denominado “Corpos reais”, que proíba contratos de publicidade entre personalidades da mídia e clínicas de estética, para evitar a camuflagem dos riscos e a romantização dos procedimentos cirúrgicos. O descumprimento da lei deverá ser penalizado por meio de retratação pública e pagamento de multa. Ademais, grandes empresas deverão priorizar mulheres sem procedimentos cirúrgicos para protagonizar campanhas publicitárias, com obejtivo de promover a naturalização e aceitação de corpos reais.