A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 29/09/2021
No documentário " Indústria da Cura “, é mostrado o poder transformador das cirurgias plásticas na vida das pessoas que lidam com deformações provinientes de episódios traumáticos. Entretanto, no Brasil, o hábito de se submeter a procedimentos estéticos, nem sempre decorrem de uma real necessidade e aparecem ,somente, como fator otimizador da autoestima e anulador da insegurança. Sob essa perspectiva, é cabível analisar os fatores que levam à banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, em decorrência da má influência midiática e da busca por prazeres instantâneos.
Inicialmente, é preciso se atentar para a inábil atuação da mídia presente na questão. Nesse sentido, o filósofo Pierre Bourdieu diz: " O que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. Todavia, a prática deturpa essa teoria e a popularização de tais intervenções, por intermédio dos influenciadores digitais dentro dos meios de comunicação, precariza tal democracia e faz com que pouco se pense no caráter cirúrgico, haja vista que essas operações são exibidas de forma simples e pouco detalhada no ambiente virtual.
Ademais, a falta de conhecimento sobre a realidade de tais procedimentos, levam as pessoas à desistirem de conseguir um corpo esculpido de forma natural e a buscar um meio instantâneo e mais rápido de alcançar a estrutura física desejada. Sob essa linha de raciocínio, na Grecia Antiga , para as mulheres, as curvas eram o ideal: seios volumosos e quadril largo eram sinais da capacidade física feminina de procriar. Dessa forma, percebe-se que o padrão de beleza imposto na Grécia, não é diferente do atual e que tal pressão estética é voltada parcialmente para o público feminino, o qual configura um problema sólido na aceitação da realidade corporal.
Portanto, medidas são necessárias para reverter esse cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Mulher, da Familia e dos Direitos Humanos, juntamente com o Ministério da Educação devem promover pelestras nos meios digitais, voltadas especialmente para as mulheres,por meio de entrevistas com vitmas dos procedimentos estéticos, bem como especialistas no assunto, a fim de mostrar a realidade do pós-cirurgico e as consequências a longo prazo. Tais palestras devem ser webconferenciadas tanto nas redes sociais dos ministérios, quanto na dos influencers digitais, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre a temática e atingir um público maior. Desta maneira, a comunidade brasileira olhará de forma mais otimista para a diferença, pois como constatou Hannah Arendt: " A pluralidade é a lei da terra".