A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 29/09/2021

No videoclipe da música “Mrs. Potato head” da cantora Melanie Martinez, uma jovem busca incessantemente figurar o padrão de beleza que vê na televisão se submetendo a inúmeras cirurgias plásticas sem, contudo, conseguir atingir seu objetivo no final. De forma análoga ao vídeo, inúmeras pessoas realizam intervenções cirúrgicas de cunho estético e esse cenário deriva tanto da sociedade capitalista quanto do patriarcalismo. Ao ter em mente que a banalização de cirurgias plásticas representa riscos à saúde física e mental da população brasileira, faz-se necessária sua discussão.

Em primeira análise, é fulcral pontuar que a insatisfação corporal é um negócio lucrativo, visto que só no Brasil no ano de 2020, a indústria da beleza movimentou cerca de 30 bilhões de dólares, segundo dados divulgados pela Euromonitor Internacional. Ademais, a lógica capitalista, que prioriza o consumo exacerbado, é um traço característico da sociedade contemporânea. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman descreve em seu livro “ O Mal-estar da pós-Modernidade” sobre a sociedade ser comandada pelo consumo, no qual é escolhido um estilo de vida consumista como uma estratégica existencial e assim os consumidores são transformados em mercadorias.

Em segunda análise, a imposição de um padrão estético inalcançável também é uma ferramenta de controle e manipulação que o patriarcalismo utiliza com o objetivo de manter a submissão feminina. Sob essa ótica, a escritora Naomi Wolf em seu livro “O Mito da Beleza” disserta sobre a padronização do corpo da mulher, de forma restrita e ocidentalizada, cercear a sua liberdade na medida que atrela esse ideal ao sucesso e à felicidade. Dessa forma, a mulher não consegue concorrer aos mesmos postos de trabalho que os homens, pois sua atenção e esforços são dispersos pela pressão social de performar uma imagem atraente do ponto de vista midiático.

Diante do exposto, verifica-se a necessidade de analisar a banalização das cirurgias plásticas no Brasil. Dessarte, com o intuito de fomentar o debate, é mister que o governo federal, por meio do Tribunal de Contas da União, direcione capital para o Ministério da Educação, que deverá reverter a verba na elaboração de material pedagógico a ser utilizado em sala de aula, no qual englobe os riscos inerentes as cirurgias plásticas, assim como discussões acerca da veracidade das imagens compartilhadas nas redes sociais que mostram corpos perfeitos e que diferem da realidade, com o objetivo de informar os estudantes sobre as armadilhas midiáticas. Dessa forma, espera-se contribuir para a formação de um senso crítico mais aguçado nos jovens, para que histórias como a abordada por Melanie sejam apenas ficção.