A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 29/09/2021

Em diversos episódios da série “Glee”, evidencia-se o preconceito que Mercedes sofre dos seus próprios colegas do colégio por ser negra e obesa. De maneira análoga, milhares de pessoas passam por situações semelhantes a da personagem — não se encaixam nos padrões estabelecidos culturamente — e, por vezes, recorrem a procedimentos invasivos para mudar esse panorama. Nesse sentido, em razão de uma educaçao deficitária e de uma má influência midiática, emerge um grave problema: a banalização das cirugias plásticas na sociedade contemporânea.

Diante desse cenário, vale destacar que um ensino indiferente às problemáticas atuais é algo que corrobora a alienação da população. Nesse viés, consoante Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange à padronização de beleza, percebe-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, como o abuso de processos estéticos, uma vez que esse conteúdo não é abordado, de modo específico, nas salas de aula, o que perpetua a falta de admiração às singularidades. Assim, enquanto um ensino acrítico aos fenômenos sociais for a realidade, várias pessoas serão presas aos tabus enraizados coletivamente.

Ademais, é importante salientar que alguns conteúdos midiáticos reforçam a ideia de um modelo tido como belo. Sob esse ângulo, conforme a poetisa Rupi Kaur, a representatividade é vital. À vista disso, ao se observar as produções artísticas, nota-se que, na maioria das vezes, aqueles que são símbolos de beleza apresentam as mesmas características: loiros, olhos e pele clara, assim como um corpo magro e definido — isso é diferente da realidade de muitos, pois cada um tem um biotipo genético diferente. Nesse contexto de falta de representatividade, aqueles que se tangenciam dessas quesitos, às vezes, sentem-se deslocados e recorrem a cirurgias, já que, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, apenas em 2018, 1,5 milhão de pacientes realizaram tratamentos estéticos.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país — deve desenvolver um projeto pedagógico, por intermédio da reformulação da grade escolar, na qual será adicionada uma nova matéria, que abordará os principais entraves do século XXI, como a busca exacerbada por beleza. Diante disso, tal proposta terá a finalidade de tornar as novas gerações mais engajadas na luta por apreciação da diferença. Por sua vez, as redes sociais, como o Instagram, devem criar oficinas virtuais, que mostrem à população que cada corpo é único e deve ser apreciado por suas singularidades. Dessa forma, espera-se frear a banalização das cirurgias plásticas.