A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 29/09/2021
Segundo o conceito de ação com finalidade, do sociólogo alemão Max Weber, as pessoas fazem ações motivadas em conquistar algo sem se preocupar com as consequências. Desse modo, tal perspectiva é analisada na banalização das cirurgias plásticas no Brasil, que é semelhante à afirmativa do autor, visto que as operações estéticas oferecem grandes riscos à saúde. Com isso, emerge um sério problema, não só pela má influência midiática, mas também pelo legado histórico do padrão estético.
Primordialmente, a falta de responsabilidade da mídia é dos entraves do problema. Conforme o conceito de banalização do mal, da filósofa Hannah Arrendt, a qual afirma que quando uma ação hostil acontece constantemente, a população deixa de vê-la como errada. Nesse sentido, o fato imposto pela pensadora, mostra que o padrão de beleza imposto pela sociedade, é intensificado por personalidades digitais, que expõem cirurgias plásticas de alto risco com tendência e desenvolvem uma influência nos seus seguidores, normalizando tais procedimentos, apenas pela ascensão social. Dessa forma, a falta de responsabilidade midiática ajuda na consolidação do problema.
Além disso, é evidente que a herança histórica deixada por uma sociedade patriarcal é uma das causas do problema. De acordo com o antropólogo Lévi-Strauss, é necessário que uma sociedade entenda o que ocorreu no passado, para compreender os problemas dos dias de hoje. Nessa perspectiva, o jornal Metrópoles afirma que 87% das operações cirúrgicas são realizadas em mulheres. Em suma, essa problemática perpetua-se em razão da imposição que a sociedade exerce sobre as mulheres em terem a aparência perfeita, principalmente para agradar aos homens. Assim, é preciso reconhecer tal legado para que o problema seja superado.
Portanto, conclui-se que o Ministério da Cultura deve promover eventos, divulgados por meio de campanhas midiáticas, em rádios e televisões, utilizando horários nobres- para alcançar o maior número de pessoas- com o propósito de refutar a ideia enraizada sobre o padrão de beleza patriarcal. Outrossim, a Secretaria de Educação deve promover debates em escolas, através de filmes e livros, acerca do assunto, incluindo perguntas com cirurgiões plásticos e psicólogos, para estudantes e seus responsáveis, explicando os malefícios físicos e mentais das cirurgias plásticas influenciadas, para que reduza a padronização do corpo feminino.