A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 01/10/2021

A Primeira Guerra Mundial foi palco do nascimento de cirurgias plásticas, quando o marinheiro britânico Willie Vicarage teve seu rosto desfigurado por um tiro durante uma terrível batalha. Atualmente, depois do crescente desenvolvimento da área estética no Brasil, o país ainda sofre com a banalização das cirurgias plásticas na sociedade, o que é fruto da influência midiática e a postura capitalista das empresas desse setor, inviabilizando a resolução dessa adversidade.

Sob esse viés, é importante ressaltar a influência da mídia no combate ao revés supracitado. Nessa perspectiva, o alto acesso às comunidades virtuais estimulou a insatisfação corporal, principalmente entre mulheres, que, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, representou 87,4% dos pacientes que realizaram esses tratamentos no ano de 2018. Além disso, o padrão de beleza imposto e idealizado nas redes sociais provocam o descontentamento em pessoas que não se encaixam nesse parâmetro, fazendo crescer o número de indivíduos que se submetem à realização de cirurgias plásticas, a fim de eliminar os seus defeitos corporais e se igualarem as(aos) blogueiras(os) da internet. Dessa forma, aumenta as mortes decorrentes de tais procedimentos e sua banalização na sociedade contemporânea.

Ademais, a postura capitalista das empresas desse ramo contribui para a persistência desse óbice. De acordo com os dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC), foi realizado um total de 97 mil cirurgias em adolescentes no ano de 2016. Tal análise, demonstra a atitude negligente de empresas que, visando apenas o lucro, autorizam cirurgias plásticas em menores de idade, os submetendo a riscos que, muitas vezes, podem ser fatais ou causar sequelas nos pacientes.

Diante disso, é de fundamental importância que as escolas promovam palestras e debates conscientizantes a respeito do risco envolvendo cirurgias plásticas e a importância da aceitação corporal, por meio de profissionais especializados no assunto, a fim de extinguir as comparações e inseguranças no meio de crianças e adolescentes. Outrossim, o Governo Federal deve fiscalizar as empresas e clínicas do ramo estético, com a finalidade de inviabilizar a realização de cirurgias desnecessárias e sem laudos médicos, para que enfim, esse cenário atual agravante seja abolido.