A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 08/10/2021

Aumento de mama, lipoaspiração e abdominoplastia, todos esses são exemplos dos inúmeros procedimentos estéticos que nos últimos anos tornaram-se frequente entre a população brasileira. Paralelo a esse crescimento ocorreu também uma banalização dessas cirurgias, feitas muitas vezes de qualquer maneira ou em qualquer lugar, com o objetivo de atender a padrões sociais. Nesse contexto, é válido analisar as simbologias associadas a esses procedimentos e suas consequências.

Diante desse cenário, é necessário compreender a relação a pressão estética e a banalização das cirurgias plásticas. Sob esse viés, segundo o conceito do filósofo Pierre Bordieu, “Simbologia de Poder”, os produtos e os serviços ganharam rótulo de poder e aceitação. Desse modo, na sociedade brasileira, o enquadramento no chamado “corpo perfeito” pode ser considerado uma simbologia de poder, ou seja, é motivo para acolhemento ou julgamentos. Nesse sentido, a consequência direta dessa pressão por um corpo ideal e ascensão social podem ser traduzidas em número, já que, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil é o país com o maior número de intervenções plásticas no mundo, cerca de 1,5 milhão de pacientes só em 2018.

Aliado a isso, essa banalização dos procedimentos plásticos pode apresentar a sua versão mais perigosa, as complicações na saúde. Dessa forma, não faltam exemplos de anônimos ou famosos que tiveram algum problema ou mesmo morrem durante esssas intervenções. A morte da modelo e influenciadora Liliane Amorin, por complicações decorrentes de uma modalidade de cirurgia de lipoaspiração, chamada “lipo lad”, que teria provocando uma perfuração no intestino, é um dos muitos casos. Infelizmente, ela não foi a primeira e nem será a última, visto que é crescente o número de mulheres que buscam por esses processos. Contudo, a preocupação por qualidade e profissionais capacitados não cresceu na mesma proporção que a procurar por essas intervenções. Desse modo, inúmeras mulheres, com intuinto de responder a pressão estética recorrem a clinicas clandestinas ou produtos incorretos e muitas vezes colocam sua vida em risco.

Portanto, o Ministério da Educação- órgão gestor do ensino no país- deve incluir na Base Nacional Comum Curricular conteúdos que abordem acerca dos padrões corporais, por meio de debates e palestras com profissionais da saúde, que apresentem os riscos dessa idealização social, a fim de desconstruir esas simbologias de poder. Além disso, o Ministério da Saúde, por meio de parceirias com os veículos de comunicação, como tv, deve divulgar campanhas que alertem a população sobre os riscos de realizar cirurgias plásticas de forma insdiscriminada, sem observar o local, o médico e os produtos. Assim, será possível evitar que outras mulheres tenham o mesmo desfecho do caso Liliane.