A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 06/10/2021

O filme brasileiro “Linda de Morrer” retrata a história de Paula, uma cirurgiã plástica que aplica em si mesma uma fórmula inovadora de perder gordura. Na trama, a protagonista morre e, por meio de um médium, volta à vida para tentar impedir o uso do produto. Análogo à obra, inúmeras pessoas são alarmantemente submetidas à cirurgias plásticas e outros procedimentos devido, principalmente, pela pressão estética imposta pelas redes sociais, fato esse gerador de incontáveis consequências.

Convém ressaltar, a princípio, que o principal fator para que os indivíduos, sobretudo mulheres, passem por procedimentos estéticos é a representação irreal de um elevado padrão de corpo nas redes socias, criando uma certa coerção. Nesse sentido, o sociólogo espanhol Manuel Castells aponta que em nossa sociedade há uma nociva dependência de interação e integração social, em especial no ambiente virtual. Dessa forma, o fato de em redes sociais, como Instagram e Facebook, haver muitas fotos e vídeos de corpos perfeitos- e a isso estar associada a felicidade- diversas pessoas se submetem a cirurgias plásticas para se aproximar desse cenário ilusório de perfeição estética. Fica claro, pois, que a pressão exercida pelas redes sobre os indivíduos torna-se “gatilho” para procedimentos plásticos.

Consequentemente, muitas pessoas são prejudicadas por essa influência da internet, pois as cirurgias plásticas possuem enormes riscos para a integridade física e psicológica do ser humano. Sob tal ótica, entre os primeiros riscos, ao realizar uma intervenção médica a pessoa pode ter complicações no momento da cirurgia, como perda de sangue, infecção e até morte. Ademais, após o ato, ainda pode haver problemas, a exemplo de envelhecimento precoce e deformação corporal. Esses últimos entraves, por sua vez, pode acarretar em um impasse psicológico, pois a pessoa se arrepende de ter escolhido passar pela cirurgia. Destarte, torna-se evidente os efeitos deletérios desses procedimentos.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas para mitigar a banalização de cirurgias plásticas. Nesse ângulo, cabe ao Ministério da Saúde - órgão responsável pelo vigor pátrio- criar uma campanha virtual que alerte sobre os perigos das cirurgias plásticas, por meio de postagens nas principais redes sociais, como Facebook e Instagram, com o fito de diminuir a incidência de interverções estéticas. Além disso, nas postagens deve haver frases motivacionais que elogiem os corpos das pessoas como eles são, de modo a quebrar o estigma de corpo perfeito das redes socias. Quiçá, assim, os imbróglios sofridos por Paula em “Linda de Morrer” restrigir-se-ão à ficção.