A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 12/10/2021

No programa ´´A Fazenda, a participante Liziane Gutierrez, uma influenciadora digital, confidenciou que sua face foi deformada por causa de um erro médico. Consoante ao relato da ´´digital influencer, infelizmente muitos brasileiros também sofrem com as consequências advindas da banalização das intervenções estéticas. Por isso, é essencial analisar a valorização da aparência e a glamourização das cirurgias plásticas como principais questões dessa problemática.

Em princípio, o enaltecimento de um padrão de beleza é a primordial causa das excessivas intervenções corporais que ocorrem  no Brasil. A esse respeito, o sociólogo Guy Debord, em seu livro ´´ A sociedade do espetáculo, afirma que as pessoas glorificam a aparência física e fazem de suas vidas uma grande performance. Nesse sentido, nota-se que o corpo transforma-se, figurativamente, em um palco sujeito a diversas modificações para agradar o público. Esse cenário é visto, por exemplo, quando uma ´´influencer passa por diversas cirurgias plásticas para ter uma imagem que seja condizente com o padrão físico imposto pela sociedade. Logo, vê-se que os indivíduos banalizam as inúmeras intervenções estéticas ao crerem que elas são um preço para a aceitação.

Ademais, as cirurgias plásticas são glamourizadas por serem relacionadas à elite. Segundo o pensador Pierre Bourdieu, o capital econômico, ou seja, quanto dinheiro um indivíduo tem, é responsável por diferenciar um grupo social de outro. Nessa perspectiva, assim como os carros de alto padrão, os procedimentos estéticos também são um código que demostra o poder aquisitivo de um grupo. Desse modo, criasse na sociedade a falsa necessidade de realizar procedimentos invasivos, como a buchectomia e a lipoaspiração, a fim de suprir o desejo de classes mais enriquecidas que querem um código para ostentar e, assim, se diferenciar dos demais.

Dessa maneira, conclui-se que a banalização das cirurgias plásticas necessita ser combatida no Brasil. A fim disso, o Ministério da Saúde, junto ao governo, deve incitar na população brasileira a consciência sobre os riscos desses procedimentos. Isso deve ser feito, por meio de campanhas informativas, divulgadas nos principais meios de comunicação, que abordem os riscos que as cirurgias plásticas, quando feitas sem uma necessidade médica, podem trazer à saúde e à autoestima dos pacientes. Nessa lógica, as campanhas poderiam utilizar casos reais, como o da Liziane, para promover um maior engajamento, devido a uma identificação pessoal com as figuras públicas participantes dessa ação.  Posto isso, espera-se que a trivialização de procedimentos invasivos, como os supracitados, seja superada no país.