A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 08/10/2021

Durante a série norte-americana “Quilos Mortais”, pessoas acima do peso enfrentam uma difícil jornada de emagrecer e fazer cirurgias plásticas visando melhorar a sua saúde. Todavia, infelizmente, fora das telas, os indivíduos, sem necessidade, colocam-se em situações de risco ao banalizar a realização de manipulações exclusivamente estéticas. Destarte, é inadmissível que tal contexto persista, urge, portanto, averiguar o impacto da padronização social frente ao tema, e também a negligência estatal.

Sob essa perspectiva, torna-se necessário analisar a influência da busca por padrões visuais perante a vulgarização de procedimentos cirúrgicos. Segundo a raciologia, teoria implementada no decorrer do imperialismo europeu na África, os seres que apresentassem características divergentes do perfil eurocêntrico seriam considerados inferiores. Nesse sentido, depreende-se que o estereótipo em virtude do corpo perfeito sempre foi um entreposto presente na história da humanidade. Assim, fica evidente que a busca incessante e banal por intervenções relativas à beleza, deriva da utopia social em se adequar a um modelo estabelecido culturalmente.

Outrossim, é crucial salientar a culpa do Estado na perpetuação de entraves envolvendo o desamparo à autoafirmação dos cidadãos. Dessa maneira, congruente a Émile Durkheim: “Os laços sociais são as normas que todos aprendem a respeitar e que sem eles tudo seria um caos”, com isso, nota-se a essencialidade de uma regulamentação social para o controle e bem-estar da comunidade. Entretanto, a displicência do governo corrobora para a desordem, devido, principalmente, à carência de um respaldo com o intuito de conscientizar a população sobre a relevância da aceitação pessoal em confronto às “modas corporais”. Logo, a escassez de políticas públicas que viabilizem mitigar o problema do recorrente abuso de operações estéticas, como a proliferação de campanhas que auxiliem na formação de uma consciência social sobre os riscos de tal hábito, dificulta o progresso do país.

Em síntese, convém elaborar medidas que objetivem intervir sobre os impasses apresentados. Por conseguinte, compete ao governo federal investir na criação de campanhas que busquem auxiliar os brasileiros na autoafirmação e consequente fuga do ideal de corpo perfeito propagado nos dias atuais. Isso pode ser feito por meio da implementação de palestras e debates públicos nos mais variados meios de informação (internet, rádio, televisão etc.), tendo como enfoque relativizar o conceito de belo e, então, desmistificar os estereótipos de perfeição. Sendo assim, tal ação possui a finalidade de provocar os indivíduos, de modo que a procura incessante por manipulações cirúrgicas estritamente estéticas decresça.