A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 09/10/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita na qual padroniza-se pela ausência de conflitos e defeitos. Conquanto, o que se observa na realidade contemporânea vai em oposição às prerrogativas do autor, uma vez que a banalização de cirurgias plásticas nas redes sociais apresenta-se como uma barreira aos planos de More. Esse cenário é fruto de duas vertentes: as mídias sociais potencializam o consumo da beleza, tornando o ser escravo dos procedimentos estéticos, assim como a saúde é relativizada em função do corpo perfeito.
Precipuamente, é fulcral pontuar que as redes sociais submetem os homens à escravidão estética. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, em sua teoria sobre a “Modernidade Líquida”, as relações entre os sujeitos em comunidade estão fragilizadas, de modo que os seres no corpo social passaram a ser descartáveis e, nesse sentido, o contexto da banalização das cirurgias plásticas em meio às redes sociais converge em direção ao pensamento do autor, tendo em vista que a busca por procedimentos estéticos aprisiona o ser em um universo paralelo de realizações pessoais, deturpando a solidificação social. Nessa ótica, é imperativo salientar que naturalizar a cultura de procedimentos estéticos em meio à internet, favorece para uma dissociação indevida da comunidade.
Além disso, faz-se mister salientar que o homem ao buscar o corpo ideal é impulsionador do problema. Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU, todos os sujeitos em coletividade têm direito à saúde e ao bem-estar social, todavia isso não ocorre na pátria, uma vez que a radicalização de cirurgias plásticas em busca da perfeição enquanto ser físico, lesiona as consolidações da ONU. Nesse prisma, é válido ressaltar que o indivíduo ao relativizar sua vitalidade em detrimento da beleza, contribui para a massificação indevida de procedimentos estéticos e, por conseguinte, dos empecilhos relacionados a essa prática.
Portanto, urge as multinacionais detentoras das mídias sociais promulgue a campanha “Não Banalize as Cirurgias” e, por intermédio das plataformas as quais as empresas possuem o direito, disserte sobre os riscos das cirurgias na vida do sujeito, com a finalidade de dar luz ao pensamento do ser, de modo que a busca pela beleza não venha radicalizar a saúde individual e coletiva, mitigando os anseios de uma atividade ilusória em sua maioria. Desse modo, as barreiras da temática serão superadas e a coletividade atingirá a utopia de More.