A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 08/10/2021

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os cidadãos o direito à equidade constitucional. No entanto, o desdém governamental e o pensamento capitalista, no Brasil, impedem que os brasileiros usufruam das prerrogativas supracitadas. Nesse sentido, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes com o intuito de difundir as diretrizes da Constituição  e acabar com a banalização das cirurgias plásticas.

Em primeiro lugar, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a deficiência de incentivos governamentais, no que concerne à criação de programas de apoio à aceitação estética, rompe essa harmonia. À vista disso, embora esteja na Constituição o príncipio da isonomia, na qual deve ser assegurado a igualdade e a integração social dos indivíduos, o governo ainda negligencia os direitos básicos (saúde etc.), bem como a execução de programas que colaborem com a valorização da pluralidade dos corpos (dotados de cultura) que integram a esfera social.

Ademais, destaca-se o pensamento capitalista como fator impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira de agir e de pensar dotada de um viés coercitivo, generalista e exterior. Ao seguir essa linha de raciocínio, observa-se que o cenário de um país marcado pela divisão de classes se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que essa condição é mantida ao longo do tempo e o comportamento da camada dominante é posto como modelo a ser seguido. Em virtude disso, há o reflexo no âmbito social, ao passo que depaupera o progresso do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, número dez, que se refere ao compromisso em reduzir as desigualdades e, assim, os índices de empoderamento serão mitigados, ou seja, comprometerá a representatividade estética e, por consequência, enaltecerá a realização de cirugias, a fim de padronizar a aparência física.

Diante disso, portanto, percebe-se que ainda existem entraves para acabar com a banalização das cirurgias plásticas no Brasil. Dessa forma, faz-se necessário que a ONU, em parceria com o governo, crie, por via de processo seletivo, uma comissão com profissionais capacitados (advogados etc.), com o propósito de buscar, diante dos governantes, a construção de instituições eficazes que promovam a elaboração de programas de incentivo à aceitação estética, a fim de contribuir com a  inserção social da diversidade fenotípica. Outrossim, a ONU deve, por intermédio de verbas públicas, investir em projetos de debate sobre o impacto do capitalismo na padronização de corpos, com o objetivo de aumentar o engajamento público e privado na apreciação da abundância de etnias e suas fisionomias singulares.