A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 08/10/2021

Corpo magro, traços faciais finos, pele sem marcas e seios avantajados. Esses são alguns dos atributos buscados pela sociedade contemporânea para ter o corpo perfeito. Ao longo da história, os padrões de beleza sempre foram estabelecidos pela classe hegemônica, associando características físicas com o status social. Atualmente, com os avanços da medicina, cirurgias plásticas foram generalizadas como uma forma fácil de se chegar no corpo perfeito, mesmo oferecendo riscos a saúde. Nesse cenário, as redes sociais se tornaram grande ferramenta para a popularização desses procedimetos.

Em uma primeira análise, cabe discutir o papel que influenciadores digitais tiveram nos últimos anos para o crescimento do mercado estético. O perfil “desin.fluencer” do Instagram, que costuma levantar discussões sobre os comportamentos problemáticos dos criadores de conteúdo, denunciou o aumento das propagandas não sinalizadas de cirurgias plásticas na rede. Esses perfis, com forte poder de influência sobre a audiência, passam confiança e credibilidade pelos resultados mostrados, mas omitem os riscos e abafam os custos.

Nesse contexto, as cirurgias voltadas apenas para mudança da aparência física são banalisadas como uma forma fácil de encaixar uma diversidade de corpos dentro de um padrão considerado perfeito. Em seu canal no Youtube, a blogueira Maíra Medeiros discutiu o arrependimento de famosos que fizeram procedimentos que não atenderam suas expectativas. No vídeo, Maíra elenca diversas personalidades que não só fizeram dezenas de mudanças, mas refizeram tratamentos por não estarem satisfeitos com os resultados. Dessa forma, é criado um ciclo de correções infinitas, já que cada vez mais não existem barreiras para quem quer chegar no ideal de beleza do momento.

Portanto, é imprescindível a imediata regulamentação das propagandas de cirurgias estéticas nas redes sociais, local que contribuiu muito para a vulgarização desses procedimentos. O CONAR (Conselho Nacional Auto Regulamentação Publicitária) deve instruir que os anúncios digitais apresentem todos os riscos e contra indicações, além de exigirem a sinalização de propaganda para qualquer postagem que induza os seguidores a fazer qualquer procedimento. Assim, a população estará mais segura e informada sobre os possíveis impactos negativos de passar por cirurgias desnecessárias.