A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 14/10/2021
No filme “As patricinhas de Beverly Hills”, é possível observar diversos personagens com curativos pelo corpo, principalmente no rosto, após realizarem cirurgias plásticas. Na sociedade contemporânea, de forma análoga ao retratado na produção cinematográfica, os procedimentos estéticos se fazem também muito presentes no cotidiano das pessoas, sofrendo uma visível banalização. Isso se dá graças à padronização da beleza e tal fenômeno traz diversos riscos à saúde de seus adeptos.
Em primeiro lugar, a padronização da beleza é o principal fator para a banalização das cirurgias plásticas. Segundo o sociólogo George Ritzer, na contemporaneidade, ocorre uma padronização de todos os setores da sociedade, inclusive do que é considerado belo. Assim, padrões extremos, muitas vezes não comuns às pessoas e inalcançáveis, são impostos, sem levar em consideração as características pessoais de cada um. Diante dessa imposição, buscando se adequarem a tais expectativas, os indivíduos se submetem a diversos procedimentos estéticos sem real necessidade, levando à banalização e normalização destes.
Em segundo lugar, a banalização das cirurgias plásticas traz vários riscos para a saúde das pessoas, visto que, graças a estas, os indivíduos passam a realizar mais procedimentos estéticos. De acordo com o filósofo Friedrich Nietzsche, o erro é inerente ao ser humano, sendo este comum a todas as pessoas, inclusive aos médicos realizadores de cirurgias estéticas. Desse modo, esses erros levam a desfigurações, em casos leves, ou até mesmo à morte, como ocorreu com a influenciadora Liliane Amorim, após uma lipoaspiração, impactando gravemente a integridade física, ao provocar traumas no corpo, e mental, ao afetar a autoestima das pessoas devido à piora de sua aparência. Logo, tal perigosa normalização das plásticas se mostra demasiadamente arriscada.
Portanto, fica claro que a banalização das cirurgias plásticas é causada pela padronização da beleza e que a primeira oferece muitos riscos à saude dos que se submetem a tais procedimentos. Visando a uma maior conscientização dos riscos por parte da população, medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério da Saúde, em parceria com influenciadores digitais, que possuem um diálogo mais aberto com os jovens, devem alertar para os riscos e casos mal-sucedidos desses procedimentos, promulgando campanhas interativas em redes sociais e em horário nobre. Além disso, nas escolas, os professores de biologia, ao ensinarem anatomia, devem explicar sobre os riscos de cirurgias, sinalizando as possíveis lesões a tecidos e órgãos e suas consequências. Apenas assim os jovens serão conscientizados e, futuramente, a banalização e realização de cirurgias plásticas sem necessidade diminuam.