A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 16/10/2021
Promulgada em 1988, a Constituição Brasileira garante a todos os indivíduos direito à ajuda psicológica de qualidade. Porém, segundo um levantamento divulgado pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil, na busca pelo corpo idelizado, tem o maior número de intervenções plásticas, evidenciando que a Constituição não anda sendo colocada em prática. Partindo dessa verdade, por conta da negligência estatal e dos padrões de corpo exigidos pela sociedade, os desafios para a mitigação da banalização das cirurgias plásticas tornam-se, portanto, maiores.
Outrossim, embora a existência de programas, como o Setembro Amarelo, promovidos pelo governo federal, sejam de alta de alta valia e não devam ser subestimados, pois ajudam centenas de pessoas, grande parcela da população ainda não tem a garantia de direitos básicos como a ajuda psicológica, previstos na Constituição, o que as submetem à transtornos alimentares. Diante disso, sem acesso ao auxílio psicológico de qualidade, essa parcela da população acaba por perpetuar na banalização das cirurgias plásticas, buscando um meio fácil de serem aceitos na sociedade, como diz o jornal O Tempo, não tendo alcance das vantagens oferecidas pelo governo.
Ademais, é importante frisar que, de acordo com o filósofo pré-socrático Heráclito, tudo flui, o que mostra que a fluidez em todas as relações sociais ocasiona a quebra de alguns valores como a empatia. Dessa forma, a sociedade, imersa neste contexto, acaba promovendo a padronização de corpos e das diversas belezas presentes no Brasil contemporâneo. Ocorrendo, assim, o fomento das cirurgias plásticas. Portanto, os desafios para a diminuição da banalização das cirurgias plásticas estão presentes na estruturação da sociedade.
É evidente, portanto, que os desafios da banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea precisam ser mitigados, tendo em vista os efeitos ocasionados. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania, que tem como dever a elaboração de políticas de segurança alimentar e nutricional, em parceria com o Ministério da Saúde, combater a banalização de cirurgias plásticas, por meio de palestras nos hospitais de saúde pública, especificamente direcionadas às mulheres jovens brasileiras, podendo, assim, visar que a informação quanto aos malefícios da cirurgia plástica seja espalhada no Brasil contemporâneo.