A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 18/10/2021

Gregório de Mator, autor barroco, foi intitulado como “Boca do Inferno, por retratar e expor em seus poemas satíricos desvios éticos e de conduta pertinentes a sua época. Seguino essa lógica, faz-se necessário, portanto, expor a banalização das cirurgias plásticas frente a sociedade contemporânea. Nesse viés, a fim de mitigar males relativos a temática, é imprescindível analisar não só a influência cultural na formação do indivíduo, mas também o papel da educação nesse processo.

Sob essa perspectiva, é imperioso destacar o papel da cultura como uma problemática no que tange ao tema. Nessa análise, assim como proposto pelo sociólogo Emile Durkhaim, a sociedade atua modulando o comportamento do indivíduo, dese jeito, o uso de cirurgias plásticas com a finalidade de enquadrar-se em padrões sociais é normalizado e tornado banal. Desse modo, a cultura acaba por influenciar a busca por mudanças estéticas, uma vez que promove uma idealização de beleza, a qual leva os indivíduos, muitas vezes, a  modificarem seus corpos para que consigam se encaixar no padrão cultural, e dessa forma, as cirurgias plásticas tornam-se mais frequêntes e reproduzidas na sociedade contemporânea.

Outrosim, a baixa educação mostra-se como determinante para a existência de problemáicas no que tange à banalização da cirurgia plástica. Desse modo, segundo o filósofo iluminista Immanuel Kant, se há um problema social, há uma lacuna educacional. Nesse sentido, a falta de experiências educacionais que intiguem o autoconhecimento e a autoaceitação, como o entendimento biológico do porquê exitem pessoas com caracteristicas e corpos diferentes, e de que não há de fato, uma estética certa e outra errada, coloca em xeque, desde  formação do indivíduo sua capacidade de aceitação, fazendo-o, amiúde, a sentir necessidade de modificar-se, recorrendo, assim a utilização de cirurgias plásticas.

Portanto, cabe aos cidadãos monitorarem não só o seu comportamente e seu autorrelacionamento, mas também o da coletividade. Fazendo isso por meio de debates, diálogos e questionamentos, nesses poderão ser usadas gincanas para o desenvolimento do amor próprio, compartilhamento de ideias e frases motivacionais, entre outras técnicas que promovam melhorar as relações do indivíduo com a sua aparência. Destarte, trabalhar-se-ia na visão dos indivíduos, e consequentemente, na perspectiva da sociedade como um todo, que não idealizaria mais padrões de beleza, e aceitaria como belo toda diversidade dos seres humanos, não sendo mais tão frequênte e banalizada a utilização de plásticas estéticas.