A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 19/10/2021
A Constituição Federal de 1988, mais importante documento jurídico do país, prevê a saúde para os cidadãos. Entretanto, esse direito não está sendo garantido, já que no Brasil há uma relativização da saúde, provocada pela banalização das cirurgias plásticas. Esse problema tem como umas de suas causas a rede social Instagram e a negligência do Estado.
Sob esse viés, vale destacar que, de acordo com o documentário “Os Dilemas das Redes Sociais”, da Netflix, o Instagram é uma mídia social que intensifica ou mesmo promove transtornos de imagem entre os usuários, ou seja, a não aceitação da sua autoimagem. Dessa forma, nota-se que esse aplicativo contribui para o aumento de pessoas que buscam a realização de cirurgias plásticas, principalmente, pelo fato de que muitas delas desejam obter um rosto igual ao dos filtros disponíveis nessa rede social, nos quais, eles mostram, frequentemente, uma imagem dita como “perfeita” pela sociedade.
Além disso, o Estado tem a sua parcela de culpa nessa problemática, visto que ele não está realizando medidas para frear a normalização do excesso de cirurgias plásticas, algo que pode-se tornar caso de saúde pública, tendo em vista que elas podem causar óbitos, como o de 9 mulheres que faleceram em menos de 8 meses, devido a esse tipo de cirurgia, de acordo com a Rede Globo. Tal fato vai de encontro ao Contrato Social, proposto pelo filósofo contratualista John Locke, no qual o Governo deve garantir os direitos do cidadão, mas nota-se que, ao ignorar esses assunto, o direito a saúde e a vida tem sido negados, haja vista que os indivíduos com transtornos de imagem não estão recebendo ajuda e continuam colocando a sua vida em risco, submetendo-se a procedimentos estéticos.
Portanto, faz-se necessário mudar esse cenário nefasto. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação e o Ministério da Saúde, em parceria com escolas públicas e privadas, organizar palestras com psicólogos e psiquiatras para orientar e ajudar os estudantes a lidarem com a pressão estética presente na contemporaneidade, de forma a prevenir futuras dismorfias corporais e combater a normalização das cirurgias estéticas.