A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 20/10/2021

Em sua composição Mrs. Potato Head, a cantora norte-americana Melanie Martinez expõe uma crítica à cultura de intervenções estéticas ao relatar em seus versos frases como: “Não seja dramática, é só um pouco de plástico”, “Ninguém vai te amar se você não for atraente”. Consoante a isso, é notória a crescente normalização dos procedimentos cirúrgicos na sociedade brasileira, atrelada à exposição excessiva de influenciadores digitais, que incentivam e sugerem clínicas cirúrgicas aos seus espectadores, com uma falsa garantia de bem estar físico e aceitação social, sem informar os riscos e complicações possíveis resultantes de uma modificação física sem motivo plausível.

Em primeira análise, é considerável a influência de redes sociais como o Instagram, que é responsável pela expressão de vida perfeita aos cliques de um smartphone,e que expressam através do marketing digital, uma influência direta na tomada de decisão dos usuários. E dessa forma, caracterizam o conceito da Banalidade do Mal, expresso por Hannah Arendt, que afirma que o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. Assim, ao usuário ao entrar em sua rede social e ser influenciado por diversas pessoas sobre um mesmo assunto, a violação da saúde em busca de resultados midiáticos começa a ser visto com serenidade como se não houvesse riscos.

Vale ressaltar, a constante busca pelo corpo perfeito pela sociedade contemporânea, ocorre de modo que a mídia tradicional também tem papel fundamental nessa influência. Visto que, são responsáveis por campanhas publicitárias e anúncios que utilizam ppadrões de modelos magras, altas e cabelos lisos para levar um produto ao telespectador, que não se sente representado no retrato que vê nas manchetes e se submete à procedimentos invasivos a fim de pertencer àquilo que lhe é exposto, colocando em risco a própria saúde em busca de satisfazer padrões sociais.

Portanto, urge, que é necessário que medidas paliativas sejam realizadas a fim de reduzir o número de procedimentos estéticos invasivos na cultura brasileira. Diante disso, cabe ao Ministério das Comunicações em conjunto da Secretarias Especiais de Comunicação Social, de cada unidade federativa, fiscalizar e barrar a realização e distribuição de propagandas tendenciosas que proponham procedimentos arriscados aos consumidores. Além, de realizar palestras nas escolas públicas através do Ministério da Educação, para conscientizar os adolescentes que estão em contato direto com as redes sociais. Para que assim, cada vez menos pessoas sejam influenciadas e esse problema não seja mais banalizado na sociedade brasileira.