A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 21/10/2021

Na série brasileira “cidade invisível”, Iara, personagem do folclore brasileiro representado pela imagem da sereia, passa a se chamar Camila e muda sua aparência afim de não ser reconhecida como sereia pelas demais pessoas. Analogamente, diversas pessoas procuram mecanismos como cirurgias plásticas para mudarem suas características físicas. Assim, a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea deve-se à supervalorização do corpo refletindo cidadãos que não reconhecem a sua própria identidade, prejudicando a sua saúde mental.

Nesse sentido, é importante salientar o cenário no qual a aparência possui maior importância nas relações sociais. De acordo com o filósofo holandês Baruch Espinoza, o corpo não deve prevalecer sobre a mente, entretanto, a presença constante de camêras devido ao desenvolvimento tecnológico no cotidiano do ser humano faz com que o físico se torne mais importante do que deveria. Dessa forma, a extrema preocupação com a imagem promove o aparecimento de meios, como as cirurgias plásticas, para que as pesssoas atendam às convenções sociais de como devem ser seus corpos e suas feições. Logo, a banalização das cirurgias plásticas é reflexo de uma sociedade que aprecia somente o estético.

Ademais, a facilidade com que se fazem as mudanças em seus rostos e corpos permite a criação de pessoas inseguras e perdidas em relação a sua própria identidade. “A alma que necessita de cirurgia”, o trecho da música “Pretty hurts” da cantora americana Beyonce denuncia os abusos que a indústria da beleza faz com aqueles que se dispõem a procurar a perfeição. A canção resume um eu lírico que não se reconhece e se sente deslocado da sua própria realidade, assim como diversos jovens e adultos que se sentem cobrados pela sociedade para terem rostos simétricos e corpos modelos e que se sentem infelizes. Com isso, o aparecimento de desequilíbrios mentais como transtornos dismórficos corporais que alteram a maneira como o próprio corpo é visto, faz-se frequente e prejudica a sanidade mental da população. Dessa maneira, o reflexo nocivo do uso indiscriminado das cirúrgias plásticas à saúde mental interfere diretamente no processo de autoaceitação do corpo social.

Portanto, medidas são necessárias para resolver este impasse. Cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde a promoção de palestras gratuitas e semanais em escolas públicas abertas ao público com a presença de psicólogos e psiquiatras afim de mostrar aos adolescentes e à comunidade a importância do reconhecimento e da autoaceitação de sua imagem ao natural, sem o uso de modificadores, além de instruí-los na identificação de eventuais transtornos.