A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 22/10/2021
Em sua composição Mrs. Potato Head, a cantora norte-americana Melanie Martinez expõe crítica à cultura de intervenções estéticas ao relatar em seus versos frases como: “Não seja dramática, é só um pouco de plástico”, “Ninguém vai te amar se você não for atraente”. Consoante a isso, é notória a crescente normalização dos procedimentos cirúrgicos na sociedade brasileira, atrelada à exposição excessiva de influenciadores digitais, que incentivam e sugerem clínicas cirúrgicas aos seus espectadores, com uma falsa garantia de bem-estar físico e aceitação social, sem informar os riscos e complicações possíveis resultantes desses procedimentos.
Em primeira análise, é considerável a influência de redes sociais como o Instagram, que é responsável pela expressão de vida perfeita aos cliques de um smartphone,e que expressam por meio do marketing digital, uma influência direta na tomada de decisão dos usuários. E dessa forma, caracteriza-se o conceito da Banalidade do Mal, expresso por Hannah Arendt, que afirma que o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. Assim, o usuário ao entrar em sua rede social e ser influenciado por diversas pessoas sobre um mesmo assunto, a violação da saúde em busca de resultados midiáticos começa a ser visto com serenidade como se não houvesse riscos.
Diante disso, vale ressaltar a constante busca pelo corpo perfeito pela sociedade contemporânea, de modo que a mídia tem papel fundamental nessa influência. Visto que são responsáveis por campanhas publicitárias e anúncios que utilizam modelos magras, altas e cabelos lisos para levar um produto ao telespectador, que não se sente representado no retrato que vê nas manchetes e se submete a procedimentos invasivos a fim de pertencer àquilo que lhe é exposto, colocando em risco a própria saúde em busca de satisfazer padrões sociais.
Portanto, urge, a necessidade da tomada de medidas paliativas a fim de reduzir o número de procedimentos estéticos invasivos na cultura brasileira. Por conta disso, cabe ao Ministério das Comunicações, fiscalizar e atuar nas redes sociais, para barrar a publicação de propagandas e conteúdos tendenciosos que proponham procedimentos arriscados aos consumidores. Ademais, cabe ao Ministério da Educação realizar palestras nas escolas públicas em sábados letivos, com psicólogos e cientistas sociais para conscientizar os adolescentes que estão em contato direto com as redes sociais. Para que assim, cada vez menos pessoas sejam influenciadas e esse problema não seja mais banalizado na sociedade brasileira.