A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 24/10/2021

A carta magna brasileira, também chamada de Constituição cidadã, promulgada em 1988, prevê em seu artigo 6° a educação e saúde perante a lei, sem distinção de qualquer natureza e inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não tem se refletido com ênfase na prática quando se observa a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante disso, a ausência de medidas governamentais e a má influência midiática são as causas principais que têm auxiliado na manutenção da problemática supracitada.

Nesse cenário, deve-se ressaltar a escassez de medidas governamentais para o combate ao amplo número de intervenções plásticas sem a real necessidade. Nesse sentido, o filósofo alemão Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo, de modo que justifica uma das causas do problema, pois a população brasileira não encontra informações pertinentes no que se trata de procedimentos estéticos e se submetem aos riscos de forma deliberada em busca de uma estética e corpo culturalmente idealizados, visto que, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética o Brasil é o país com o maior número de intervenções plásticas em todo o mundo.

Concomitante a isso, a mídia — meios de comunicação em massa — atua como direcionador de pensamento de grande parte da população. Acerca disso, segundo o pensador francês contemporâneo Pierre Bordieu: “Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica. Então, observa-se que o papel exercido pela mídia com a divulgação de temáticas que auxiliam à pressão estética, reflete essa disfunção. Logo, nota-se um grande estímulo ao número de adeptos de cirurgias plásticas invasivas como o aumento de mama e a lipoaspiração.          ////outro parágrafo////          Depreende-se, portanto, a necessidade de conter o avanço da problemática da banalização de cirurgias plásticas. Em vista disso, é papel da Secretaria Especial de Comunicação Social e do Ministério da Saúde, por meio da liberação de verbas destinadas às ações sociais e com o apoio de ONGs especiliazadas, desenvolver atuações que revertam a má influência midiática, como a criação de páginas online preenchidas de depoimentos de médicos e pacientes que tiveram complicações cirúrgicas, além da quebra do esteriótipo “perfeito” imposto pela pressão estética, com a finalidade de apresentar os verdadeiros riscos de tais procedimentos. Talvez, assim, os mecanismos utilizados pra opressão simbólica sejam direcionados e convertidos em instrumentos democráticos como proposto por Pierre Bordieu no século XX.