A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 28/10/2021

O filme brasileiro “Linda de Morrer” retrata uma médica famosa que descobre como acabar com as celulites, através de um comprimido. Porém, a protagonista toma o remédio e morre de um inesperado efeito colateral. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada à conjuntura hodierna. Nesse sentido, a aumento da procura de cirurgias plásticas acontece devido à pressão estética e a influência das redes sociais. Diante dessas perspectivas, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar que a busca pelo corpo perfeito que afeta principalmente as mulheres, faz com que elas procurem caminhos para conseguir essa realização. Com isso, o meio mais fácil é através das cirurgias plásticas, muitas vezes sem pensar sobre os riscos que a cirurgia pode causar ou se vai ter condições financeiras, podendo gerar complicações e levar até a morte principalmente quando são feitos por profissionais não especializados ou com materiais proibidos para o corpo humano. De acordo com a pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em 2019, foram realizadas 1,7 milhões de cirurgias plásticas, sendo que 60% para fins estéticos. Logo, é inadmissível que esse canário continue a perdurar.

Ademais, é fundamental apontar o avanço das redes sociais como impulsionador da banalização das cirurgias plásticas. Na Antiguidade clássica, eram valorizados a simetria dos rostos e dos corpos. A magreza passa a fazer parte dos padrões estéticos do mundo ocidental no século XVI e se consolida no século XX. O padrão magro com traços europeus se mantém até hoje, com novas características, como, corpos musculosos e ditos saudáveis. Diante de tal exposto, nas redes sociais é comum a manipulação de imagem e o uso de filtros para se adequar aos padrões estéticos, muitas vezes os jovens prejudicam sua autoestima se comparando com corpos que nem existem na vida real.

Portanto, é imprescindível que o Governo Federal junto ao Ministério da Educação, invista em campanha de informação, debates e palestras nas escolas para alunos, pais e professores sobre os malefícios da falta de senso crítico no uso das redes sociais, ministradas por psicólogos e com pessoas que já sofreram consequências de cirurgias que deram errado, informando sobre os riscos das cirurgias plásticas e trazer mais lucidez sobre o tema. Isso deve ser realizado, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara, a fim de tornar os jovens mais atentos e menos suscetíveis a essas manobras. Tais medidas visam combater o impasse de forma precisa e democrática.